Grupos religiosos na época de Jesus

Grupos religiosos na época de Jesus

O ministério terreno de Jesus foi cercado por movimentos de grupos filosóficos, políticos e religiosos que exerciam forte influência na vida do povo. Quando examinamos as páginas das Escrituras, mais especificamente os evangelhos, deparamo-nos com vários grupos religiosos. Alguns são bem conhecidos, como escribas, fariseus, sacerdotes e saduceus. Além desses, houve outros que, apesar de não terem o mesmo destaque, participaram de alguma forma da vida e ministério de Jesus, como herodianos, samaritanos, publicanos e zelotes.

Escribas

Os escribas ficaram conhecidos nas páginas do Novo Testamento como doutores da Lei por serem profundos conhecedores das Escrituras. Eles não podem ser estritamente definidos como uma seita, mas sim, membros de uma espécie de “academia” dos tempos bíblicos; por isso, se sentiam no direito de interpretar a Lei para o povo judeu.

Fariseus

“Fariseu” deriva de um vocábulo hebraico que significa “separado”. Denomina um grupo de judeus extremamente apegados à Torá, o livro sagrado dos judeus. Formavam, entre o povo judeu, uma espécie de comunidade à parte. Eram a elite do povo. Não se misturavam. Escribas e fariseus eram simpatizantes entre si. Há fortes indícios de que alguns escribas eram também.

Sacerdotes

A palavra “sacerdote”, em português, vem do latim sacer e significa “sagrado”, “separado”. Os sacerdotes eram ministros religiosos, habilitados para participar e conduzir as cerimônias religiosas de culto.

Saduceus

“Os saduceus compunham uma das mais importantes e influentes seitas judaicas, muitas vezes em oposição tanto política quanto teológica aos fariseus. Esta seita era amplamente constituída pelos elementos mais ricos da população. (…) Entre seus componentes se encontravam os sacerdotes mais poderosos, mercadores prósperos e a classe aristocrática da sociedade” (R.N. Champlin, Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, vol. 6, p.30).

Herodianos

Os herodianos formavam mais um partido político do que um grupo religioso. Eram assim chamados por serem partidários assalariados da dinastia de Herodes. Herodes, o Grande, tentou romanizar a Palestina em sua época.

Mesmo sendo caracterizados como uma associação ou grupo político e tendo a antipatia do povo, os herodianos mantinham contato direto com os saduceus numa manobra política para eliminar Jesus.

Zelotes

Zelote é uma palavra grega que significa “zeloso”. Os zelotes tinham um intenso zelo por Deus (At 21.20). Era um grupo religioso com marcado caráter militarista e revolucionário que se organizou opondo-se à ocupação romana de Israel. Também eram designados sicários (sanguinários), devido ao punhal que levavam escondido e com o qual atacavam os inimigos. Não hesitavam em usar a força, a violência e as intrigas para alcançar seu objetivo, que era libertar a nação de Israel do jugo estrangeiro.

Temos o registro bíblico de que antes de ter-se convertido e ter sido chamado ao discipulado cristão, um dos doze apóstolos de Jesus, Simão, o Zelote, havia pertencido a esse partido revolucionário, que se caracterizava pelo fanatismo religioso.

O fato de Jesus ter convidado um membro desse grupo não significa que tinha intenção de promover uma revolta contra o império, mas sim de mostrar ao povo da época, bem como das gerações posteriores, que Sua mensagem era dirigida a todas as classes, fossem elas políticas, econômicas ou étnicas.

Publicanos

Costumava-se dizer: “Só os publicanos são ladrões”. Podemos afirmar sem medo de errar que na época de Jesus a profissão de publicano era a pior. Eles eram comparados aos pecadores da pior espécie. Quando um judeu exercia esse triste ofício, e, sobretudo, quando cobrava de seus irmãos o imposto destinado a Roma, era tratado com enorme desprezo.

Os essênios

Os essênios eram um grupo religioso entre os judeus, que tinha sua própria interpretação das Escrituras e queria manter a pureza do judaísmo. Eles eram uma comunidade bastante fechada e alguns se isolavam no deserto. A Bíblia não fala sobre os essênios.

Os essênios surgiram por volta do século II a.C. e ainda existiam no tempo de Jesus. Eles eram contra a mistura do judaísmo com valores gregos e queriam se afastar da influência pagã de outros povos. Alguns essênios viviam nas cidades, entre outros judeus, mas outros eram mais radicais e formaram comunidades no deserto, com pouco contato com outras pessoas.

De acordo com os historiadores dessa época, as leis dos essênios eram muito rígidas e valorizavam a comunidade, a partilha, a pureza e a dedicação a Deus. Eles tinham várias restrições alimentares e tentavam limitar seu contato com outras pessoas, para não serem contaminados com outras filosofias. Alguns estudiosos acreditam que os essênios escreveram os manuscritos do Mar Morto.

Embora eram conhecidos no tempo de Jesus, a Bíblia não faz nenhuma referência aos essênios. Eles não se envolviam na vida pública e provavelmente se mantiveram afastados de Jesus e seus seguidores.

 

 

 

A Mulher do fluxo de sangue

Foto mulherA MULHER DO FLUXO DE SANGUE

Ela considerou em seu coração que bastava tocar na orla das vestes de Jesus que seria curada, porém, como aproximar-se de Jesus sem contaminar a multidão? E o que faria a multidão se descobrisse que uma mulher imunda havia saído no meio do povo, e deliberadamente tocou e se esbarrou em todos? “Ou, quando tocar a imundícia de um homem, seja qualquer que for a sua imundícia, com que se faça imundo, e lhe for oculto, e o souber depois, será culpado” ( Lv 5:3 ).
“E foi com ele, e seguia-o uma grande multidão, que o apertava. E certa mulher que, havia doze anos, tinha um fluxo de sangue, e que havia padecido muito com muitos médicos, e despendido tudo quanto tinha, nada lhe aproveitando isso, antes indo a pior; Ouvindo falar de Jesus, veio por detrás, entre a multidão, e tocou na sua veste. Porque dizia: – Se tão-somente tocar nas suas vestes, sararei. E logo se lhe secou a fonte do seu sangue; e sentiu no seu corpo estar já curada daquele mal. E logo Jesus, conhecendo que a virtude de si mesmo saíra, voltou-se para a multidão, e disse: Quem tocou nas minhas vestes? E disseram-lhe os seus discípulos: Vês que a multidão te aperta, e dizes: Quem me tocou? E ele olhava em redor, para ver a que isto fizera. Então a mulher, que sabia o que lhe tinha acontecido, temendo e tremendo, aproximou-se, e prostrou-se diante dele, e disse-lhe toda a verdade. E ele lhe disse: Filha, a tua fé te salvou; vai em paz, e sê curada deste teu mal” ( Mc 5:24 -34)
O que há de tão importante no milagre da mulher com um fluxo de sangue que levou três evangelistas a narrarem o milagre? No que implicava uma mulher sofrer hemorragia constante Aquela época? Como dimensionar a fé em Cristo daquela mulher?
Em primeiro lugar é essencial deixar registrado que os milagres narrados pelos apóstolos têm a função precípua de levar os homens a crerem que Cristo é o Filho de Deus “Jesus, pois, operou também em presença de seus discípulos muitos outros sinais, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” ( Jo 20:30 -31).
Marcos e Lucas registraram que a mulher já havia gasto todos os seus bens com médicos, porém, não puderam curá-la ( Mc 5:26 ; Lc 8:43 ).
Já os evangelistas Mateus e Marcos destacam que uma mulher sofria de hemorragia há doze anos e, ao ouvir falar de Jesus, passou a acreditar que, se somente tocasse em suas vestes haveria de ser curada “Porque dizia consigo: Se eu tão-somente tocar a sua roupa, ficarei sã” ( Mt 9:21 ).
Porém, havia um entrave: A mulher por ter um fluxo de sangue, pela lei de Moisés era considerada imunda “Também a mulher, quando tiver o fluxo do seu sangue, por muitos dias fora do tempo da sua separação, ou quando tiver fluxo de sangue por mais tempo do que a sua separação, todos os dias do fluxo da sua imundícia será imunda, como nos dias da sua separação” ( Lv 15:25 ).
Ela considerou em seu coração que bastava tocar na orla das vestes de Jesus que seria curada, porém, como aproximar-se de Jesus sem contaminar a multidão? E o que faria a multidão se descobrisse que uma mulher imunda havia saído no meio do povo, e deliberadamente tocado esbarrando-se em todos? “Ou, quando tocar a imundícia de um homem, seja qualquer que for a sua imundícia, com que se faça imundo, e lhe for oculto, e o souber depois, será culpado” ( Lv 5:3 ).
Como sair de casa, se os vizinhos que recriminavam aquela condição por causa da lei, poderiam vê-la no meio da multidão? O que fariam os religiosos se a descobrissem?
Além do sofrimento físico e da desesperança, a mulher do fluxo de sangue não podia participar das festas religiosas, não podia ficar fora do templo junto com as outras mulheres e nem ir a sinagoga ( Lv 15:25 -33). Ela devia permanecer confinada e isolada, pois não podia relacionar-se com as pessoas, nem mesmo com os seus familiares. Tudo o que ela tocava tornava-se imundo!
Embora ciente dos riscos de ser pega, a mulher entrou no meio da multidão e, ao chegar por trás, tocou na orla das vestes de Cristo e, imediatamente, ficou sã. Foi quando Jesus perguntou: “Quem é que me tocou?” ( Lc 8:45 ).
Como deve ter ficado apreensiva a mulher quando foi descoberto o seu ato de tocar nas vestes de Cristo! – Será que Jesus vai me recriminar por ter saído em meio a multidão sendo imunda? O que dirão os seus discípulos e a multidão? Será que todos ali presentes serão concitados a se recolherem em casa para cumprirem o tempo determinado na lei para a purificação? “Ordena aos filhos de Israel que lancem fora do arraial a todo o leproso, e a todo o que padece fluxo, e a todos os imundos por causa de contato com algum morto” ( Nm 5:2 ).
Enquanto as questões se avolumavam na mente da mulher, Jesus continuava a perguntar: “Quem é que me tocou?” ( Lc 8:45 ). A multidão continuou negando e, Pedro juntamente com o outros discípulos tentaram dissuadir a Cristo argumentando: “E, negando todos, disse Pedro e os que estavam com ele: Mestre, a multidão te aperta e te oprime, e dizes: Quem é que me tocou?” ( Lc 8:45 ).
Jesus, porém, continuou a olhar entre a multidão para ver quem havia lhe tocado! No verso 33 de Lucas 8 fica nítido o quanto ela considerou antes de revelar-se, pois, sabia que havia contrariado a lei indo até Jesus em meio a uma multidão.
A mulher ciente do que havia ocorrido, com medo e tremendo, aproximou-se, prostrou-se diante de Cristo e disse toda a verdade.
Foi quando Jesus lhe acalmou ao dizer: “Filha, a tua fé te salvou; vai em paz, e sê curada deste teu mal” ( Lc 8:48 ).
Por causa da fidelidade de Cristo Jesus, que honra aqueles que n’Ele confiam, a mulher foi: salva, recebida por filha, curada do fluxo de sangue e despedida em paz. Toda a confiança surgiu quando a mulher simplesmente ouviu falar de Jesus “Ouvindo falar de Jesus, veio por detrás, entre a multidão, e tocou na sua veste. Porque dizia: Se tão-somente tocar nas suas vestes, sararei” ( Mc 5:27 -28).
A confiança desta mulher nos ensina que Jesus é a água viva, fonte inesgotável, pois qualquer imundo que tocá-lo é limpo da sua imundície “Porém a fonte ou cisterna, em que se recolhem águas, será limpa…” ( Lv 11:36 ).
Através dela somos ensinados que Cristo é a semente incorruptível, o Verbo encarnado, pois até mesmo os cadáveres que sobre Ele caírem tornam-se limpos “E, se dos seus cadáveres cair alguma coisa sobre alguma semente que se vai semear, será limpa” ( Lv 11:37 ).
A confiança não surge do sofrimento, ou das mazelas diárias, antes tem origem na palavra da verdade. Ele passou a confiar a partir do momento que ouviu acerca de Cristo (v. 27). Quando ela ouviu acerca d’Ele e refletiu (v. 28), foi tomada de confiança que superou todos os medos (v. 33).
Se ela não tivesse ouvido acerca do Cristo, jamais teria confiança, pois a fé vem pelo ouvir e, o ouvir pela palavra de Deus ( Rm 10:17 ). Ao ouvir acerca daquele homem, ela foi invadida por uma confiança tal que considerou que, se tão somente tocasse nas suas vestes seria curada.
A confiança que ela depositou em Cristo era diferente da confiança que tivera nos médicos. A confiança nos médicos levou-a a gastar tudo o que possuía, mas a confiança em Cristo levou-a a desafiar as suas próprias crendices, as disposições da lei e a religiosidade: aquele homem tinha poder para sará-la daquele mal.
Se a notícia acerca de Cristo não houvesse operado uma transformação (metanóia) no modo de pensar da mulher, jamais ela iria intencionalmente tocar em Jesus, pois estaria presa ao pensamento de que poderia contaminá-lo.
Após apresentar-se prostrada aos pés de Cristo diante da multidão, e tendo declarado a sua intenção e confiança, Jesus lhe disse: “Filha, a tua fé te salvou; vai em paz, e sê curada deste teu mal” ( Mc 5:34 ).
O que salvou a mulher? A ‘confiança’ dela ou a ‘fé que se tornou manifesta’?
Ora, sabemos que quem salvou a mulher foi Cristo, pois ele é a fé que havia de se manifestar “Mas, antes que a fé viesse, estávamos guardados debaixo da lei, e encerrados para aquela fé que se havia de manifestar” ( Gl 3:23 ). Antes de Cristo ser anunciado ela confiava na lei, e a confiança dela não podia salvá-la, nem do pecado e nem da enfermidade, porém, quando ela confiou em Cristo, o dom de Deus, ela foi salva da condenação herdada de Adão e foi curada da enfermidade física “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus” ( Ef 2:8 ); “Jesus respondeu, e disse-lhe: Se tu conheceras o dom de Deus, e quem é o que te diz: Dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva” ( Jo 4:10 ).
Uma coisa é certa: ‘confiança’ a parte da fé, que é Cristo, não salva. Confiar nos médicos, na lei, na religiosidade, etc., nada produz, mas diante da fé manifesta, que é dom de Deus, se o homem confiar será salvo.
O homem é justificado por Cristo, a fé que havia de se manifestar, a fé que uma vez foi dada aos santos “Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo” ( Rm 5:1 ); “Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé sem as obras da lei” ( Rm 3:28 ).
Aquele que confia no Verbo que se fez carne, o autor e consumador da fé, tem a vida eterna, pois a confiança advém da palavra de Deus, que é firme e permanece para sempre “Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece” ( Jo 3:36 ).
A crença da mulher lhe salvou porque ela creu naquele que tem poder para justificar o ímpio, ou seja, a crença dela lhe foi imputada como justiça, assim como ocorreu com Abraão “Mas, àquele que não pratica, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça” ( Rm 4:5 ); “E creu ele no SENHOR, e imputou-lhe isto por justiça” ( Gn 15:6 )