O Exílio Babilônico

O Exílio Babilônico

O exílio marcou profundamente o povo de Israel, embora sua duração fosse relativamente pequena. De 587 a 538 a E.C., Israel não conhecerá mais independência. O reino do Norte já havia desaparecido em 722 a.E.C. com a destruição da capital, Samaria. E a maior parte da população dispersou-se entre outros povos dominados pela Assíria, o reino do Sul também terminará tragicamente em 587 a.E.C. com a destruição da capital Jerusalém, e parte da população será deportada para a Babilônia. Tanto os que permaneceram em Judá como os que partirem para o exílio carregaram a imagem de uma cidade destruída e das instituições desfeitas: o Templo, o Culto, a Monarquia, a Classe Sacerdotal. Uns e outros, de forma diversa, viveram a experiência da dor, da saudade, da indignação, e a consciência de culpa pela catástrofe que se abateu sobre o reino de Judá.

Os escritos que surgiram em Judá no período do exílio revelam a intensidade do sofrimento e da desolação que o povo viveu. São os livros de: Lamentações, Jeremias e Abdias. Os exilados na Babilônia igualmente recordaram na dor os que viveram: “A beira dos canais de Babilônia nos sentamos, e choramos com saudades de Sião; nos salgueiros que ali estavam penduramos nossas harpas. Lá, os que nos exilaram pediam canções, nossos raptores queriam alegria: Cantai-nos um canto de Sião! Como poderíamos cantar um canto do Senhor numa terra estrangeira?” (Sl 137).

A experiência foi vivida pelos que ficaram e pelos que saíram como provação, castigo e reconhecimento da própria infidelidade à aliança com Deus. Pouco a pouco foram retomando a confiança em Deus que pode salvar o seu povo e os conduzirá nesse Êxodo de volta a Sião, conforme afirma o Segundo Isaías. “Deus novamente devolverá a terra ao povo como a deu no passado.” (Ez 48). De fato, no Segundo Isaías já se entrevê a libertação do povo que virá por meio de Ciro, rei da Pérsia. Ele será o novo dominador não só de Judá e Israel, mas de todo o Oriente. Ciro será, de fato, o “ungido”, o salvador do povo de Judá e dos exilados?

Entretanto, os Caldeus, um povo que tinha se instalado na Babilônia alguns séculos antes (naquelas civilizações, as mudanças eram percebidas depois de séculos), acabaram assumindo o controle da região. Nínive foi invadida e incendiada. Nem as crianças assírias foram poupadas das degolas. Assim, os Caldeus utilizaram a guerra para dominar a Mesopotâmia. Esse novo império da Babilônia foi conquistado durante o reinado caldeu de Nabucodonosor. Ele dominou regiões distantes, onde hoje estão o Líbano, a Síria e Israel. Esse fato está registrado na Bíblia, que fala da invasão da cidade de Jerusalém e escravidão dos habitantes do povo Hebreu (Judeu). A cidade foi melhorada, ganhou grandes períodos. O mais famoso foram os Jardins Suspensos da Babilônia, um Ziguarte com plantas e árvores trazidas da Pérsia. Verdadeira montanha artificial. A distante Pérsia estava mais próxima do que parecia. Depois da morte de Nabucodonosor, os persas chefiados pelo rei Ciro dominaram a região em 538 a.C.. Assim, o cativeiro da Babilônia, período entre a deportação dos judeus da palestina para a Babilônia, efetuada pelo rei Nabucodonosor II, e a libertação em 538 a.C., pelo rei da Persa, Ciro. No entanto, Nabucodonosor II (reinou de 605-562 a.C.), fundador da dinastia Caldeia do novo Império Babilônico, que conquistou a maior parte do sudoeste da Ásia Menor; conhecido também como grande construtor do Império da Babilônia.

 

Exílio à Cativeiro

Exílio em Babilônia, Cativeiro em Babilônia ou Exílio Babilônico é o nome geralmente usado para designar a deportação em massa e exílio dos judeus do antigo Reino de Judá para a Babilônia por Nabucodonosor II. Este período histórico foi marcado pela atividade dos profetas do Antigo Testamento, Jeremias, Ezequiel e Daniel. A primeira deportação teve início em 598 a.C.. Jerusalém é saqueada e o jovem Joaquim, Rei de Judá, rende-se voluntariamente. O Templo de Jerusalém é parcialmente sitiada e uma grande parte da nobreza, os oficiais militares e artífices, inclusive o Rei, são levados para o Exílio em Babilônia. Zedequias, tio do Rei Joaquim, é nomeado por Nabucodonosor II como rei vassalo. Precisamente 11 anos depois, em resultado de nova revolta no Reino de Judá, ocorre a segunda deportação em 587 a.C. e a conseqüente destruição de Jerusalém e seu Templo.

Naquele tempo, os oficiais de Nabucodonosor, rei da Babilônia, marcharam contra Jerusalém e a cidade foi sitiada. Nabucodonosor, rei da Babilônia, veio em pessoa atacar a cidade, enquanto seus soldados a sitiavam. Então Jeeonias, rei de Judá, foi ter com rei de Babilônia, ele e sua mãe, seus oficiais, seus dignitários e seus eunucos, e o rei da Babilônia os fez prisioneiros […]. Levou para o cativeiro Jerusalém inteira. (II Reis 24, 10-14).

Governando os poucos judeus remanescentes da terra de Judá, os mais pobres, ficou Gedalias nomeado por Nabucodonosor II. Dois meses depois, Gedalias é assassinado e os poucos habitantes que restavam fogem para o Egito com medo de represálias, deixando a terra de Judá (ex-Reinado de Judá) efetivamente sem habitantes e suas cidades em ruínas. É certo que o período de cativeiro “em Babilônia” terminou no primeiro ano de reinado de Ciro II (538 a.C./537 a.C.) após a conquista da cidade de Babilônia (539 a.C.). Em consequência do Decreto de Ciro, os judeus exilados foram autorizados a regressar à terra de Judá, em particular a Jerusalém, para reconstruir o Templo.

Nabucodonosor II (632 a.C. – 562 a.C.) é o filho e sucessor do Rei Nabopolasar, e governou durante 43 anos o Império Neobabilônico, entre 604 a.C.. Não deve ser confundido com Nabucodonosor I. É o mais conhecido governante do Império Neobabilônico. Casou-se em 612 a.C. com a filha de Ciáxares, rei da Média. Foi sucedido pelo seu filho Evil-Merodaque. Ficou famoso pela conquista do Reino de Judá e pala destruição de Jerusalém e seu Templo em 587 a.C., além de suas monumentais construções na cidade da Babilônia: entre elas, os Jardins Suspensos da Babilônia, que ficaram conhecidos como uma das sete maravilhas do mundo antigo.

No entanto, seu reinado após a morte do rei assírio Assurbanipal em 631 a.C., o Império Assírio entrou em declínio, devido às revoltas dos povos dominados. Nabopolassar conquista Nínive em 612 a.C. com a ajuda dos Medos, seus vizinhos. O que resta do Império Assírio sucumbe definitivamente em 605 a.C.. Assim nasceu o Império Neo-babilônio, muito mais grandioso que o de Hamurabi. Nabucodonosor II expandiu seu império, conquistando boa parte da Cicília, síria, Fenícia e Judeia. Tomou Jerusalém e levou em cativeiro um grande número de seus habitantes, episódio conhecido como a primeira Diáspora Judaica ou o “cativeiro babilônico. ”

Nabucodonosor, rei da Babilônia, veio atacar Jerusalém com todo o seu exército; acampou diante da cidade e levantou trincheiras ao seu redor. A cidade ficou sitiada até o décimo primeiro ano de Sedecias. No dia nove do mês quando a fome se agravava na cidade e a população não tinha mais nada para comer, abriram uma brecha nas muralhas da cidade. Então todos os guerreiros escaparam de noite pela porta que há entre os dois muros perto do jardim do rei – os caldeus ainda cercavam a cidade -, e tomou o caminho da Arabá. O exército dos caldeus perseguiu o rei e o alcançou nas planícies de Jericó, onde todos os soldados se dispersaram para longe dele. […] degolaram os filhos de Sedecias na presença dele, depois Nabucodonosor furou os olhos de Sedecias, algemou-o e o conduziu para Babilônia. (II Reis 25, 1-7).

Já o Reinado de Judá conseguiu sobreviver até 587 a.C., quando foi dominado pelos neobabilônios, que destruíram o templo de Jerusalém e levaram os hebreus como prisioneiros para o seu território. Esse episódio tornou-se conhecido como Cativeiro da Babilônia. Esse cativeiro dos hebreus durou até 539 a.C., ano em que os persas, um povo que habitava o leste da Mesopotâmia, conquistaram a Babilônia e permitiram a volta dos hebreus para seu território, onde eles reconstruíram o templo de Jerusalém. Mais tarde, foram dominados sucessivamente por outros povos, como os macedônicos e os romanos. No ano 70, os judeus revoltaram-se contra a dominação romana. Os romanos responderam destruindo o segundo templo de Jerusalém e reprimindo duramente os rebeldes. Os judeus foram escravizados e dispersos pelo Império Romano. Desta maneira, ocorreu um grande impacto na cultura judaica.

Quando o povo judeu (israelitas) regressou à terra de Judá, encontrou uma mescla de povos, os samaritanos – que praticava uma religião com alguns pontos comuns com a religião do Antigo Israel. As hostilidades cresceram entre os judeus que regressavam e os samaritanos, uma divisão religiosa que permanece. O cativeiro em Babilônica e o regresso do povo judeu à terra de Judá foram entendidos como um dos grandes atos centrais no drama da relação entre o Deus de Israel e o seu povo arrependido. O caso do Reino de Judá foi muito diferente do destino das 10 Tribos que formavam o Reino de Israel Setentrional. Tal como o Antigo Egito, agora os judeus estavam predestinados a serem punidos por Deus usando o Império Neo-babilônio e, mais uma vez, libertos. Esta experiência coletiva teve efeitos muito importantes na sua religião e cultura. Assim marca o surgimento da leitura e estudo da Torá nas sinagogas locais na vida religiosa dos judeus dispersos pelo mundo.

Por isso, trata do exílio da Babilônia é colocar em evidência uma experiência do povo de Jerusalém, o que pede uma breve contextualização nacional e internacional daquele período, isto é, uma pequena análise de conjuntura e ainda o peso dessa experiência para o povo da gola (do exílio), para os dispersos e para as gerações futuras. Assim, o exílio que aconteceu no século VI a.C., foi fruto da expansão territorial imperialista da Babilônia, mas antes da Babilônia convém fazer colocações sobre a Assíria.

Judá já havia se livrado da destruição Assíria por volta do ano 701, ficando somente sob o estado de vassalagem, o que aconteceu devida uma política interna estável e boas relações externas. Já no período próximo à invasão babilônica, a situação política de Judá estava um tanto instável. No século VII a.C., Manassés tinha imprimido um regime opressor ao povo (II Reis 21,1-18; 21-16). Após a sua morte, o seu sucessor é assassinado por seus ministros (II Reis 19-26), o que causa grande tensão interna e proporcionará a intenção do povo da terra, ou seja, os chamados Judaístas, que entronam uma criança de oito anos, Josias. Isso implica o “povo” no poder. Josias instala uma reforma que visa a atender parte das reivindicações do povo da terra, contudo acontece nessa reforma uma centralização do culto e investido militares, que desembocou na vitória dos egípcios em 609 a.C.. Nessa época Josias é morto e os Javistas voltam a proclamar um rei, dessa vez é Jeocaz, que ocupou o trono por três meses, foi deposto pelo Egito (Jr 22,10-12), que impõe Joaquim como rei, iniciando mais um período de opressão para o povo de Judá exploração tributaria e repressão até sua morte em 598 a.C.. Seu filho Joaquim é quem colherá o fruto de sua política externa e aparente diplomacia. Joaquim vai investir em uma política contra a Babilônia, o que vai ressaltar na ação Babilônica para evitar avanços do Egito. Em 597 a.C. Jerusalém é desmilitarizada e cerca de 10 mil pessoas são deportadas, como já vimos anteriormente em (II Reis 24, 14-16). Por volta de dez anos depois Zedequias é o líder político imposto e que vai se rebelar contra os Babilônicos, resultando na destruição e desurbanização de Judá em 587 a.C. e consequentemente o segundo exílio, mas ao que indica Jeremias (52,30) aconteceu outro exílio em 582 a.C., chegando a somar 15 mil pessoas de Jerusalém na Babilônia.

Em Judá permaneceu, sobretudo, o povo do campo, pois a mesma (Judá) foi desurbanizada por grupos proféticos, litúrgicos e cantores. É desses grupos que surgirá a literatura renascente, ou seja, a leitura do exílio a partir dos que ficaram na terra. Não havia mais o Estado de Israel, havia grupos que viviam nos campos, o que traz uma semelhança com o sistema tribal. Por outro lado, os moradores das cidades que ficaram estavam arrasados, tudo tinha sido destruído: o templo, os prédios, a estrutura urbana. Tudo estava em ruínas após 587 a.C., do povo das cidades é que surgem as lamentações, pois para os que serviam o templo restou a oração de lamentações (Jr 41,4-7). Temos ainda o grupo dos que fugiram para o Egito ou outras partes, estes compõem a diáspora (II Reis 25,25-26), também a estes o texto de Segundo Isaías se dirige quando trata do segundo Êxodo, (Is 48,21; 52,12; 55,12). Já o povo do exílio não ficou distanciado, mas agrupado em uma só região. Provavelmente ficaram às margens de rios (Sl 137), e outros estiveram na corte da Babilônia. Com essas “regalias” de exilados, o povo de Judá pode se reunir e retornar a sua história de povo que assume como único Deus. Portanto,

No período histórico do ano 400 na narrativa do profeta Isaías, o povo de Judá experimenta a dominação assíria, depois a caldeia e finalmente a persa, de características diferentes cada uma, mas todas elas imperialistas. No meio desse trajeto situa-se o exílio babilônico de Judá. Este país viveu o fim da monarquia, a escravidão do exílio e as tentativas de restauração sob a administração persa. (CROATTO, 1989, p. 11).

Um dos períodos mais difíceis e dolorosos foi o exílio, quando Jerusalém e o Templo foram destruídos, o povo perdeu a terra e foi deportado. Mas também foi motivo de renovação e retomada da fidelidade a Deus. Com isso, as causas dos exílios do povo de Israel no decorrer da sua história foram: o Clima (A busca de sobrevivência – fome) “Houve uma fome na terra e Abraão desceu ao Egito, para aí ficar, pois a fome assolava a terra.” (Gn 12,10; Rt 1,16); a posição geográfica (Favorecia o intercâmbio com outros povos e continentes) “Por isso desci a fim de libertá-lo da Mao dos egípcios, e para fezê-lo subir desta terra para uma terra boa e vasta, terra que mana leite e mel, o lugar dos cananeus, dos heteus, dos amorreus, dos ferezeus, dos heveus e dos jebuseus.” (Ex 3,8); a expansão territorial dos povos vizinhos (Exerceram seu domínio político sobre a região de Canaã. Assim, deportando e expulsando parte da população). Outra causa foi o serviço militar (Trocas de favores por recompensas de terras); a busca de melhores condições econômicas (As famílias encontraram boa situação econômica em outros países), e por fim, a perseguição e outros fatores (Levaram muitos israelitas saírem de suas terras, sobretudo no período dos Selêucidas). Desta forma, o exílio é uma experiência que marca não só Israel, mas grande parte da população de todos os tempos e povos em contextos similares.

Na angústia da destruição surge a esperança de sobreviver na terra. Esse contexto marca a lamentação do povo exilado (Lm 1, 1-3.11; 2, 6.14.11-12.19-20; 5,11-12).

Nossa herança passou a estranhos, nossas casas a desconhecidos. Somos órfãos, já não temos pai; nossas mães são como viúvas. Nossa água por dinheiro a bebemos, nossa lenha entra como pagamento. O julgo está sobre nosso pescoço, empurraram-nos; estamos exaustos, não nos dão descanso. (Lm 5,2-5).

A destruição não havia poupado nenhuma cidade importante de Judá. (2Rs 24,13-17; 25,8-12). As áreas que ficaram desocupadas com a saída dos deportados foram povoadas não só pela população camponesa que ficou de Judá, mas também pelos povos vizinhos (Jr 47. 48. 49). Povos filisteus, moabitas e amonitas, edomitas, assírios e árabes. Assim, “Os sobreviventes recomeçaram lentamente a povoar as cidades e reconstruí-las. Os assentamentos judaicos concentraram-se nas regiões periféricas e em algumas distantes, provavelmente causando a separação com Judá logo na primeira deportação em 597 a.E.C. (CROATTO, 1989, p. 25). Desta maneira, Godolias iniciou seu governo com um programa de reconstruções, convidando os remanescentes da catástrofe a repovoar as cidades e a retomar as atividades cotidianas. Assim, alicerçou seu império de forma distributiva em relação a classe de proprietários locais, cujo direito não se fundamentava na herança nem na compra, mas na ordem dada pelo imperador da Babilônia. Portanto, a morte de Godolias (2Rs 25,25; Jr 40-44) expressa o medo de uma repressão maior, muitas famílias judias fugiram para o Egito, refugiando-se na colônia de Elefantina.

No entanto, o povo viveu neste período uma grande crise de fé devido os acontecimentos. Revolta contra Deus, ora de reconhecimento de sua culpa e por fim, um pedido de socorro.

Iahweh tencionou destruir o muro da filha de Sião: estendeu o prumo, não retirou sua Mão destruidora; enlutou baluarte e muro: juntos desmoronaram. Por terra derrubou suas portas, destruiu e quebrou seus ferrolhos; seu rei e seus príncipes estão entre os pagãos: não a Lei! E seus profetas já não recebem visão de Iahweh. […] de lagrimas consomem-se meus olhos, de tremor minhas entranhas, por terra derrama-se meu fígado por causa da ruína da filha de meu povo enquanto pelas ruas da cidade desfalecem meninos e lactentes. Perguntam às suas mães: “onde há pão?” Enquanto, como feridos, desfalecem pelas ruas da Cidade, exalando sua vida no regaço de sua mãe. […] Seus profetas viram para ti vazio e aparência: não revelaram tua falta para mudar tua sorte, serviram-te oráculos de vazio e sedução. […] Iahweh realizou o seu desígnio, executou sua palavra decretada desde os dias antigos; destruiu sem piedade; fez o inimigo alegrar-se às tuas custas, exaltou o vigor de teus adversários. (Lm 2,8-17).

Por isso o desespero do povo – tenta chamar a atenção de Deus. O povo se culpa – infidelidade a Deus; o povo renova a confiança em Deus. “O Senhor é bom para quem nele confia, para aquele que o busca. É bom esperar em silencio a salvação do Senhor. ” (Lm 3-25s). Enquanto isso, um resto será salvo da catástrofe, porque Deus ama o seu povo. “O resto que escapou da casa de Judá tornará a lançar raízes em terra e a produzir frutos em cima. Com efeito, de Jerusalém saíra um resto e do monte Sião os sobreviventes. O zelo de Iahweh dos exércitos fará isto.” (Is 37,31-32; 2Rs 19,4; Mq 5,2; Is 4,3). Mas, desse resto nasceria uma nação forte e poderosa. “Odiai o mal e amai o bem, estabelecei o direito à porta; talvez Iahweh, Deus dos Exércitos, tenha compaixão do resto de José.” (Am 5,15).

Depois da destruição do reino de Judá em 587 a.C., nasce a consciência de serem eles o resto que foi disperso por Deus entre as nações. (Br 2,13; Ez 12,16) Israel se converterá. (Ez 6,9-10). Saberão então que eu sou o Senhor dos Exércitos. (Jr 23,3.5-6) O resto purificado para a restauração messiânica. Mas depois do exílio o “resto” é novamente infiel e será dizimado e purificado, como expressa bem o profeta Zacarias (13,8-9; 1,3; 8,11; 14,2). Deste resto final nascerá o rei Messias, o Emanuel comparado a uma pedra angular (Is 28,16-17) e ao broto em rebento de um povo Santo (Is 6,13; 11,1.10). Por isso, a promessa de que “um resto voltará” lembra retrospectivamente o nome de um filho de Isaias (7,3; 8,18).

Naquele dia, o resto de Israel, os sobreviventes da casa de Jacó não continuarão a apoiar-se sobre aquele que os fere; apoiar-se-ão sobre Iahweh, o Santo de Israel, com fidelidade. Um resto, o resto de Jacó, voltará ao Deus forte. Com efeito, ò Israel, ainda que o teu povo seja como a areia do mar, só um resto dele voltará, pois, a destruição está decidida: a justiça transborda! Sim a destruição está decidida; o Senhor Iahweh dos Exércitos a fará executar no meio de toda a terra. (CROATTO, 1989, p. 83-84).

Portanto, mesmo exilado, o povo de Deus prosperou e cresceu. O exílio da Babilônia deixou marcas não só no povo que ficou na terra de Judá, mas também nos que foram deportados. Os remanescentes tinham a realidade de destruição sob os olhos. Já os que foram deportados carregaram consigo as imagens da cidade destruída, do povo disperso e massacrado, do culto desfeito. Estavam agora fora da terra, sem Templo, sem culto e sem os seus dirigentes. Muitos sonhos construídos ao longo dos anos foram desfeitos.

Em análise desse contexto, observamos que os babilônios não dispersaram os exilados, como fizeram os assírios. Surge um regime de servidão (Ez 1,1s; Ne 7,61; Is 42,22). Com isso, eles foram assentados em comunidades agrícolas (Ez 3,24; 33,30). Tudo isso favoreceu a conservação do patrimônio espiritual, religioso e cultural. Podiam falar a própria língua, observar seus costumes e suas práticas religiosas. Podiam livremente reunir-se, comprar terras, construir casas e comunicar-se com Judá, sua pátria. “Construí casas e instalai-vos; plantai pomares e comei os seus frutos.” (Jr 29,5). Na realidade, na Babilônia, conseguiram até certa prosperidade econômica num tempo relativamente curto.

Um dos personagens que marcaram àquele tempo, foi o profeta Ezequiel. O profeta vivia entre os exilados e os ajudava a alimentar a esperança do retorno à terra prometida. (Ez 48,1-29). Ainda que os deportados tivessem encontrado a possibilidade de reconstruírem suas vidas, viveram a experiência do exílio como uma grande catástrofe. Mas a saudade de Deus alimentava a fé e a esperança daquele povo. Assim, com o exílio, o povo pensava que todas as promessas de Deus tivessem falido: terra, descendência e um grande nome. Viveu uma enorme crise de fé no Senhor, seu Deus. Pois o deus da Babilônia, Marduc, havia vencido o Deus de Israel, tinha mais poder do que ele. Por isso, muitos exilados aderiram à religião de Marduc, não só por ele ser mais poderoso, mas porque poderiam obter alguns privilégios de seus senhores babilônios. “Que vem a ser este provérbio que vós usais na terra de Israel: os pais comeram uvas verdes e os dentes dos filhos ficaram embotados?” (Ez 18,2). “Assim diz o Senhor Iahweh: Tu beberás a taça da tua irmã – taça funda e larga. Tornar-te-ás objeto de escárnio e zombaria, tão grande será o seu conteúdo.” (Ez 23,32). Estamos pagando pelos nossos pecados ou dos nossos antepassados?

O que restar de um lado e do outro da porção sagrada e da propriedade reservada para a cidade, pertencerá ao príncipe. Assim, desde a propriedade dos levitas e desde a propriedade da cidade, que ficam no meio da porção pertencente ao príncipe, entre os limites de Judá e Benjamim estará a porção do príncipe. (Ez 48,21).

O chefe da nova terra não será mais um rei, e sim um príncipe. No exílio reafirmaram a identidade israelita mediante algumas práticas culturais e religiosas, como a circuncisão, a observância do sábado e da lei mosaica. O referencial não era o Templo, mas o Livro da Lei, as escrituras sagradas, anunciadas principalmente pelos profetas do exílio, Ezequiel e o Segundo Isaías. Mesmo assim, os exilados mantinham viva a fé pelas celebrações litúrgicas, orações e cânticos, embora não conseguissem esquecer Sião (Sl 137). Conservava a firme esperança de retornarem a ela, pois Deus havia prometido a eles, que se consideravam descendentes de Abraão (Gn 12,7). Isaías via o retorno do exílio como um novo êxodo, em cujo deserto haveria abundancia de água e toda espécie de Plantas. (Is 41,18-20).

Com o exílio na Babilônia surgiriam importantes escritas como de Ezequiel, o Segundo Isaías, partes do Levítico e Salmos. Eles infundem a esperança do retorno, de um novo êxodo em que Deus mesmo vai reunir o seu povo como o pastor reúne o seu rebanho. (Is 40,10-11). “Eis aqui o Senhor Deus.” Portanto, no exílio da Babilônia os sacerdotes e teólogos, formados em Jerusalém, interpretam a seu modo as antigas tradições patriarcas com a intenção de infundir fé nos exilados submersos pela apatia e pela dispersão. As promessas de numerosa descendência e de posse da terra se realizariam porque a Palavra de Deus é infalível.

 

Conclusão

O Exílio marcou profundamente o povo de Israel, embora sua duração fosse relativamente pequena. De 587 a 538 a.E.C., Israel não conhecerá mais a independência. O reino do Norte já havia desaparecido em 722 a.E.C. com a destruição da capital Samaria. E a maior parte da população dispersou-se entre outros povos dominados pela Assíria. O reino do Sul também terminará tragicamente em 587 a.E.C com a destruição da capital Jerusalém, e parte da população será deportada para a Babilônia. Assim, tanto os que permaneceram em Judá como os que partiram para o exílio carregaram a imagem de uma cidade destruída e das instituições desfeitas. A experiência foi vivida pelos que ficaram e pelos que saíram, como provação, castigo e reconhecimento da própria infidelidade à aliança com deus. Pouco a pouco foram retomando a confiança em Deus que pode salvar o seu povo e os conduzirá nesse Novo Êxodo de volta a Sião, conforme afirma o segundo Isaías. Deus novamente devolverá a terra ao povo como a deu no passado (Ez 48).

Portanto, os judeus deportados foram implantados numa região situada entre a Babilônia e o Uruk, ao longo do canal que Ezequiel 1,1 designa sob o nome de rio Kebar. Para todos aqueles exilados, a verdade é que a Babilônia, com seus canais, os seus jardins e os seus imponentes edifícios, devia construir um espetáculo pelo menos inesperado. Aos olhos de muito deles aquela cidade devia representar uma civilização e uma religião superiores às de Judá. Contudo, apesar do desastre que implicava o Exílio não deixou de ser para os judeus fieis, um período de intensa atividade e de reflexão. Foi nesta época, nomeadamente, que foi reunido o essencial dos elementos que permitiram levar a cabo a composição do Antigo Testamento sob a sua forma atual.

O exílio corresponde igualmente ao início da dispersão mundial dos judeus. Quando a Babilônia foi vencida, em 540 a.E.C. por Ciro, rei dos persas, e os exilados foram autorizados a regressar à sua terra, uma parte deles decidiu permanecer onde estava. Por outro lado, uma colônia judaica constituir-se-ia no século V, no Egito, em Elefantina, a norte da primeira catarata do Nilo. Composta Poe mercenários que tinham servido no exercito persa, possuía o seu próprio Templo. Já os que regressaram ao país, por volta de 539 a.E.C., tiveram de enfrentar numerosas dificuldades e o Templo só pôde ser reconstruído em 516 a.E.C. Neemias tinha encontrado Jerusalém num estado desolador. As muralhas estavam arruinadas e os raros habitantes que restavam tinham deixado de respeitar qualquer lei. Com a ajuda de Esdras, que foi seu sucessor, restabeleceu a ordem social e religiosa e permitiu assim a Judá sobreviver ao seu desastre.

 

Bibliografia

MÁRCIO, Xavier Lima da.

AUTH, Romi. Deus Também Estava Lá: Exílio na Babilônia. São Paulo: Paulinas, 2002. (Col. Bíblia em Comunidade). v. 3.

BÍBLIA DE JERUSALÉM. São Paulo: 2002.

CARDOSO, Ciro Flamarion S. Sociedades do Antigo Oriente Próximo. São Paulo: Scipione, 2006.

CROATTO, J. Severino. Isaías. A Palavra profética e sua Hermenêutica. O Profeta da Justiça e da Fidelidade. Tradução Jaime A. Clasen. São Paulo: Sinodal, 1989.

ISRAEL e JUDÁ: Textos do Antigo Oriente Médio. Tradução Benôni Lemos. São Paulo: Paulus, 1985. (Documentos do mundo da Bíblia).

MONTELLATO, Andrea Rodrigues Dias. História Temática. São Paulo: Scipione, 2006.

SCHMIDT, Mário Furley. Nova História Crítica. São Paulo: Nova Geração, 2005.

PETTA, Nicolina Luiza e OJEDA, Eduardo Aparíco Baez. História: Uma abordagem integrada. 2. Ed. São Paulo: Moderna, 2008.

 

Cristão e a prática de arte marciais

Cristão e a prática de arte marciais

Este artigo visa demonstrar as implicações de natureza religiosa e espiritual que envolvem a prática e treinamento nas artes marciais em suas diversas origens, a partir do estudo histórico de seus valores e princípios espirituais, confrontando-os com os ideais da Bíblia Sagrada para o bem estar do homem, de sua família e da sociedade. Seus adeptos, defensores e propagadores de sua prática tem buscado desvincular seus aspectos históricos e religiosos, transformando-as em mera atividade desportiva, ovacionando-as por seus supostos benefícios ao corpo. Todavia, esta visão simplista desconsidera o pano de fundo espiritual existente, que interage nas dimensões psicológicas e físicas do ser.

Desde a regulamentação do exercício profissional da educação física pela Lei 9.696/1998, tem havido grande número de ações judiciais impetradas pelo Conselho Federal de Educação Física (CONFEF) com o propósito de obrigar as academias, clubes e institutos de artes marciais e seus afins a se legalizarem, mediante a admissão em seu quadro funcional de um professor legalmente habilitado. A polêmica aumentou com a apresentação do Projeto de Lei 7.370/2002 que isentou tais instituições da fiscalização pelos Conselhos Regionais de Educação Física, sob a alegação de que as artes marciais não são atividades físicas, nem desportivas, tratando-se de práticas artísticas e culturais (CONFEF, 2005, p. 21).

Não é objeto deste artigo a discussão dos interesses envolvidos em tais disputas, porém, é fato que até o momento não há uma regulamentação específica nas leis humanas no Brasil neste assunto. Por outro lado, parafraseando o apóstolo Paulo, poderíamos afirmar que “nem tudo que não é proibido nos é permitido ou nos convém fazer” (I Coríntios 10:23). Cumpre-nos saber se a prática de artes marciais é algo que edifica, aperfeiçoa o individuo em sua relação com o Criador, seus semelhantes e consigo mesmo, ou se apenas tem tal aparência, produzindo ao longo do tempo efeitos indesejáveis.

Para isto, faz-se necessário conhecer um pouco sobre o surgimento, a história e os princípios filosóficos que permeiam as artes marciais.

UM POUCO DE HISTÓRIA

Não há registros escritos que permitam precisar a origem das artes marciais. Há indícios de que suas raízes mais remotas venham da Índia, há mais de dois mil anos. Nessa época haveria surgido a primeira forma de luta organizada, chamada de Vajramushti, termo oriundo do sânscrito de difícil interpretação, que pode significar entre outras coisas “caminho do rei” ou “caminho da arena” (WIKIPEDIA). Para Ramos (2003)

Embora considerada uma arte marcial budista por muitos pesquisadores, o Vajramushti (Vajra: real, bastão, cetro, vara, direto, reto, correto, sol, etc.; mushti: golpe, soco, punho, raio, etc.) data de época muito anterior ao surgimento do Budismo. As referências históricas não são exatas, visto que o país de origem (a Índia), por sua própria filosofia social de extrema religiosidade, nunca deu muita importância aos registros históricos. Na realidade, o Vajramushti tem a sua origem em época pré-ariana, quando a Índia ainda era habitada pelos drávidas (3500 a 1500 a.C.). Esta arte marcial é mencionada em quase todos os textos heróicos da civilização dravidiana, e em várias lendas se atribui a Shiva a sua criação. Esta teria sido a arte marcial que Bodhidharma, o vigésimo oitavo patriarca do Budismo, levou para o mosteiro de Shaolin na China, dando origem ao Kung Fu (Natali, 1987). Também Muñoz Delgado (1998) salienta que o Vyáyám (outro nome de Vajramushti) é a mais antiga tradição marcial da Índia. O termo Vyáyám provém do sânscrito e significa: “domar o alento interno”. Atualmente, ainda é praticado na Índia com nomes, tais como: Maippayat e Kalarippayat (nomes dravídicos e recentes). O seu princípio fundamental está baseado no conhecimento profundo das nossas energias e sua projeção interna e externa. Portanto, podemos dizer que o Vyáyám está enquadrado no caminho do conhecimento da Energia, ou seja, do conhecimento do Tantra

Segundo Sato,

A história das artes marciais começa a tomar uma forma mais concreta a partir do século VI, quando no ano 520 um monge budista indiano chamado Bodhidharma – 28º patriarca do Budismo e fundador do Budismo Zen – deixou seu país e partiu numa longa jornada em busca da iluminação espiritual. Bodhidharma (conhecido no Japão como Daruma) viajou da Índia para a China, pernoitando nos templos que encontrava pelo caminho e pregando sua doutrina aos monges ou a quem quer que fosse. Depois de ter perambulado por boa parte do território chinês, o destino o conduziu ao Templo Shaolin, localizado na província de Honan. Diz a lenda que, ao penetrar no velho mosteiro, Bodhidharma deparou-se com a precária condição de saúde dos monges, fruto de sua inatividade. Foi então que ele iniciou os monges na prática de uma série de exercícios físicos, ao mesmo tempo em que transmitia-lhes os fundamentos da filosofia Zen, com o objetivo de reabilitá-los tanto física quanto espiritualmente. Os exercícios ensinados por Bodhidharma eram baseados em métodos de respiração profunda e ioga, e seus movimentos se assemelhavam a técnicas de combate. A prática desses exercícios logo tornou-se uma tradição no templo, vindo mais tarde a atingir um estado de evolução tal que pôde ser considerada como um verdadeiro e completo sistema de autodefesa: o Shaolin Kung Fu, que no Japão é conhecido como Shorinji Kenpo. Esta arte marcial em ascensão logo mostrava sua eficiência, primeiro com relação à restabelecida saúde dos monges, e segundo como método de defesa pessoal propriamente dito, posto em prática contra bandoleiros que por vez ou outra saqueavam o templo, de quem os monges em outros tempos eram considerados presas fáceis. A reputação dos monges lutadores logo se espalhou pela China, fazendo com que o Shaolin Kung Fu se difundisse amplamente pelo país, principalmente durante a Dinastia Ming (1368-1644), vindo mais tarde a conquistar outros países da Ásia e a dar origem a outros estilos de artes marciais, como o Karate em Okinawa.

Camacho (2004) assinala que

A origem das artes marciais perde-se no passado longínquo. Raramente os autores coincidem numa exposição evolutiva dos diferentes sistemas de luta. Porém parece existir uma certeza. Os estudiosos são quase unânimes em considerar que se pode encontrar a origem das artes marciais na Índia, embora já não o sejam no que respeita à designação do sistema marcial originário. Nalguns épicos clássicos do hinduísmo encontram-se descrições de seqüências de combate, como no Mahabhárata, e nesta obra deve considerar-se o Bhagavad Guitá, no Rámáyána, no Rig Vêda, assim como noutros textos religiosos, como o Buddhacarita Sútra, Jaiminiya Brahmana, e o Saddharmapundarika Sútra. O conhecimento dos pontos vulneráveis do corpo (…), já existente nessas épocas recuadas, encontra uma aplicação na prática da luta, assim como nos sistemas organizados de combate com e sem armas. O conhecimento dos pontos vitais tem inclusive uma obra que lhe é dedicada o M’arma Shastra. No Mahabhárata relata-se o que aconteceu quando Drona, um mestre nas artes marciais, ensina a disparar o arco. Ele manda cada um dos discípulos apontar a uma ave que se encontrava no cimo de uma torre. E pergunta-lhes, um a um, o que vêem. E quase todos descrevem que vêem o pássaro, as suas penas, as patas, a cauda, a torre, etc. Drona, zangado agride-os. Ao fazer a mesma pergunta a Arjuna, o maior dos guerreiros, este responde que vê apenas o olho do pássaro. Ou seja, Arjuna estava em êkagráta, a concentração da mente num só ponto, o mais elevado nível de concentração.

Ramos (2003) assim descreve as artes marciais:

Denominam-se «artes marciais» (de Marte, nome romano do deus grego Ares, o deus da guerra, dos agricultores e dos pastores, filho de Zeus e Hera, e amante de Afrodite), os diferentes métodos de defesa pessoal e técnicas militares que têm servido aos diferentes povos para a defesa do território e dos bens pessoais e públicos dos seus cidadãos (Natali, 1987). No entanto, nos dias de hoje, são somente chamadas «artes marciais», «artes de combate» ou «artes de combate e meditação» (Lima, 1990), as artes de defesa pessoal de origem oriental (e.g., Karate-Do, Judo, Kung Fu), talvez por possuírem uma codificação mais sistemática, por estarem organizadas de forma hierárquica, e possuírem uma metodologia mais uniforme (Natali, 1987). Contudo, a finalidade original das artes marciais orientais não é a vitória sobre um oponente, mas sim a mesma do seu precursor, o Yôga, ou seja, desenvolver no Homem, não só poderes paranormais, como estados “superiores” de consciência, reveladores de uma suposta realidade transcendente (Deshimaru, 1983; Jazarin, 1996; Maliszewski, 1996; Morris, 1993; Payne, 1981; Severino, 1988). Portanto, as artes marciais são essencialmente uma via espiritual (Durix, 1978). A sua relação com o desporto é muito recente (Deshimaru, 1983).

PRINCÍPIOS ESPIRITUAIS ENVOLVIDOS

Segundo se observa pelas citações anteriores, as artes marciais não apenas envolvem o corpo do indivíduo, mas, sobretudo seu espírito e sua mente. Em material exposto na mídia o Instituto Bodhidharma declara que a doutrina filosófica das artes marciais tradicionais envolve:

(…) quatro aspectos que são: Mágico, Estratégico, Tático e Técnico. O desenvolvimento da Doutrina Filosófica é em função dos 5 elementos que são: Terra, Água, Ar, Fogo e Éter. As ferramentas de trabalho da Doutrina são as 5 faculdades: Memória, Imaginação, Atenção, Discernimento e Consciência.
Os valores Filosóficos da Doutrina são os 7 Princípios: Centro, Distância, Tempo, Regulação, Ritmo, Absorção e Controle. É através desses 4 pontos que a Filosofia Marcial se estrutura e desenvolve com uma identidade própria e um caminho próprio.

Segundo se observa nas frases dos mestres de artes marciais, conforme exemplificado a seguir, sua prática não envolve nem objetiva o desporto em si mesma, mas, a auto-realização e a obtenção de controle e poder tanto psíquico quanto espiritual independentemente de Deus:

«O objetivo fundamental da arte do Karate não consiste na vitória ou na derrota, mas no aperfeiçoamento do caráter de seus praticantes.» Gichin Funakoshi

«O Dojo* é o campo de batalha da vida, um “campo de vida e de morte”. A única diferença que existe entre ele e o campo de batalha de uma guerra é que no Dojo quem está sendo treinado pode morrer muitas vezes seguidas e ficar vivo para contabilizar essas mortes como experiências que favorecem o seu desenvolvimento nos caminhos e, eventualmente, capacitam-no a transcender a vida e a morte.» Jackson Morisawa (Mestre Zen)

«Assim como com uma vela acesa se acende outra, o mestre transmite o genuíno espírito da arte de coração a coração, para que eles se iluminem. Então, se a graça lhe é reservada, o discípulo descobre em si mesmo que a obra interior que ele deve realizar é bem mais importante que as obras exteriores, por mais atraentes que sejam, e que ele deve persegui-la se quiser ser o artífice do seu destino de artista.» Eugen Herrigel (Mestre Zen)

«O Karate-Do Tradicional é muito mais que um esporte de combate competitivo, pois o espírito que o norteia não é apenas a busca de vitórias em competições, mas, acima de tudo, a auto-superação. Seu praticante visa vencer a si mesmo e as suas imperfeições. Neste sentido, não há vitória exterior sem vitória interior, no Karate-Do Tradicional.» Yasutaka Tanaka

No Brasil, apesar da vinda de imigrantes das mais variadas partes do mundo que trouxeram em sua bagagem a prática das artes marciais, desenvolveu-se a capoeira, citada hoje como a “arte marcial brasileira”. Sobre ela, Rondinelli escreve:

O termo capoeira significa “o mato que nasce depois do desmatamento”, provavelmente porque era praticada entre esses matos, com os lutadores próximos ao chão, para não serem descobertos pelos seus senhores. É preciso dizer que nessa época a capoeira era uma prática proibida, pois com os escravos treinando sua forma de defesa pessoal, poderiam trazer problemas para aqueles que se consideravam seus “donos”. No entanto, ainda que proibida, a capoeira nunca deixou de ser praticada e ensinada. (…)Outra característica importante da capoeira é a música. A música é sempre tocada por membros da roda que se revezam, e é acompanhada de uma regra fundamental: os membros da roda sempre precisam responder ao canto, também chamado de ladainha. As ladainhas são acompanhadas pelo toque de alguns instrumentos: pandeiro, atabaque, caxixi, agogô e reco-reco. Talvez, o mais interessante das ladainhas sejam as suas letras que remetem ao cotidiano dos escravos, ao momento da roda de capoeira, aos deuses do candomblé (religião de origem africana) e do catolicismo, e à relação entre homem e mulher.

*Dojo: local onde se praticam as artes marciais.

CONVÉM QUE OS CRISTÃOS PRATIQUEM ARTES MARCIAIS?

Toda a literatura apresentada anteriormente foi elaborada por adeptos das artes marciais, contando entre eles com professores e entidades que as ensinam, e não por teólogos ou pesquisadores que lhes sustentem antipatia.

Conforme observamos acima, a perspectiva filosófico-espiritual é o ponto alto das artes marciais, baseada em princípios totalmente anticristãos. Com base nestas evidências é possível fazer uma avaliação acerca da viabilidade de participação daqueles que afirmam ser autênticos discípulos de Cristo na prática ou ensino das artes marciais. Por mais ingênua ou desinteressada que seja a posição de um cristão neste assunto, torna-se difícil negar as conseqüências espirituais que as artes marciais podem acarretar em sua vida, entre as quais podemos elencar algumas:

  1. Influências espirituais malignas através das reverências prestadas e feitas aos espíritos e entidades próprios do budismo e hinduísmo, através da meditação, reverências, golpes, gritos, etc., lembrando que as artes marciais surgiram a partir da personalidade do deus hindu Shiva, tendo como essência o ioga (RAMOS, 2003);
  2. Oposição frontal às Sagradas Escrituras, em sua postura moral e de princípios, dentre os quais podermos citar alguns textos:
  3. Não se achará no meio de ti quem faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro, nem encantador, nem quem consulte um espírito adivinhador, nem mágico, nem quem consulte os mortos; pois todo aquele que faz estas coisas é abominável ao Senhor, e é por causa destas abominações que o Senhor teu Deus os lança fora de diante de ti. – Deuteronômio 18:10 – 12;
  4. Não vos voltareis para os que consultam os mortos nem para os feiticeiros; não os busqueis para não ficardes contaminados por eles. Eu sou o Senhor vosso Deus. Levítico 19:31;
  5. Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestes [no sangue do Cordeiro] para que tenham direito à arvore da vida, e possam entrar na cidade pelas portas. Ficarão de fora os cães, os feiticeiros, os adúlteros, os homicidas, os idólatras, e todo o que ama e pratica a mentira. Apocalipse 22:14 – 15.
  6. Desencadear reações de agressividade e violência, haja visto que o espírito de luta que opera nas artes marciais altera as condições de consciência e equilíbrio da alma. Sogo afirma que

(…) o sucesso num combate é fruto 10% de técnica e 90% de “alma”. No caso de lutadores muito bons, pode ser 20% de técnica e 80% de “alma”.

Em casos de pessoas com histórico familiar de agressividade e violência é puro engano achar que a prática de artes marciais irá apaziguar o ânimo interior do indivíduo e fazê-lo pacífico. A Bíblia afirma que a paz interior é fruto da presença do Espírito Santo na vida de alguém (Gálatas 5:22).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Embora a atividade física possua seus propósitos e gere inegáveis benefícios ao homem na esfera física e, de certo modo, até mesmo no campo psicológico pelas interações que dela resultem, nenhum destes benefícios poderá compensar os danos causados pelas influências espirituais atraídas pelas artes marciais. No ministério pastoral, observamos de perto alguns casos de pessoas que foram envolvidas durante muitos anos com estas práticas. Sabiam de suas implicações espirituais e admitiram sentir opressão demoníaca em muitas situações. Acima de tudo, convém lembrar a sábia instrução da Palavra de Deus em I Timóteo 4:8:

Pois o exercício corporal para pouco aproveita, mas a piedade para tudo é proveitosa, visto que tem a promessa da vida presente e da que há de vir. Fiel é esta palavra e digna de toda aceitação. Pois para isto é que trabalhamos e lutamos, porque temos posto a nossa esperança no Deus vivo, que é o Salvador de todos os homens, especialmente dos que crêem.  Manda estas coisas e ensina-as.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALMEIDA, J. F. Bíblia Sagrada. Versão Revisada. Imprensa Bíblica Brasileira. Disponível em <http://bibliaonline.com.br&gt;

BUDOKAN. Seleção de Frases. Karatê – Do Tradicional. Florianópolis, SC: Budokan Shinbun. Disponível em < http://www.budokan.com.br/main.htm&gt;

CAMACHO, J. Artes Marciais – As Origens. Centro de Artes Orientais. Monte Caparica, Portugal: CAO-PT, 2004. Disponível em < http://www.cao.pt&gt;

CONFEF. A Polêmica do Projeto de Lei 7370/2002. Revista Educação Física, no 16, Ano V, 2005. Disponível em <http://www.confef.org.br&gt;

RAMOS, A. Visão Transpessoal das Artes Marciais. Centro de Artes Orientais. Monte Caparica, Portugal: CAO-PT, 2003. Disponível em < http://www.cao.pt&gt;

RONDINELLI, P. Capoeira: uma prática genuinamente brasileira. Brasil Escola. Disponível em < http://www.brasilescola.com&gt;

SATO, E. F. M. Bodhidharma e o Templo Shaolin. Karatê – Do Tradicional. Florianópolis, SC: Budokan Shinbun. Disponível em < http://www.budokan.com.br/main.htm&gt;

Osmir Banzato Junior é bacharel em Teologia  pela Faculdade Evangélica do Paraná (FEPAR), bacharel em Ciências Contábeis (UFPR), pastor, pesquisador e professor-coordenador do Instituto de Especialização Shekinah em Curitiba/PR.

A tricotomia do homem

A tricotomia do homem

Corpo, alma e espírito.

O homem é um ser tricótomo (1Ts 5.23; Hb 4.12). O termo tricotomia significa “aquilo que é dividido em três” ou “que se divide em três tomos”. Em relação ao homem, o termo tricotomia refere-se às três partes do seu ser: corpo, alma e espírito. Há divergência neste ponto entre alguns teólogos. Há aqueles que entendem o homem como apenas um ser dicótomo, ou seja, que se divide em duas partes: corpo e alma (ou espírito). Os defensores da dicotomia do homem unem alma e espírito como sendo uma e a mesma coisa. Entretanto, parece-nos  mais aceitável o ponto de vista da tricotomia. Esse conceito da tricotomia crê que o homem é uma triunidade composta e inseparável. Só a morte física é capaz de separar as partes: o corpo de sua parte imaterial.

a) O corpo: É a parte inferior do homem que se constitui de elementos químicos da terra como oxigênio, carbono, hidrogênio, nitrogênio, cálcio, fósforo, potássio, enxofre, sódio, cloro, iodo, ferro, cobre, zinco e outros elementos em proporções menores. Porém, o corpo com todos esses elementos da terra, sem os elementos divinos, são de ínfimo valor. No hebraico, a palavra corpo é basar. No grego do Novo Testamento, a palavra corpo é somma. Portanto, o corpo é apenas a parte tangível, visível e temporal do homem (Lv 4.11; 1Rs 21.27; Sl 38.4; Pv 4.22; Sl 119.120; Gn 2.24; 1Co 15.47-49; 2Co 4.7). O corpo é a parte que se separa na morte física.

b) A alma: É preciso saber que o corpo sem a alma é inerte. A alma precisa do corpo para expressar sua vida funcional e racional. A alma é identificada no hebraico do Velho Testamento por nepheshe no grego do Novo Testamento por psiquê. Esses termos indicam a vida física e racional do homem. Os vários sentidos da palavra alma na Bíblia, como sangue, coração, vida animal, pessoa física; devem ser interpretados segundo o contexto da escritura em que está contida a palavra “alma”. De modo geral, em relação ao homem, a alma é aquele princípio inteligente que anima o corpo e usa os órgãos e seus sentidos físicos  como agentes na exploração das coisas materiais, para expressar-se e comunicar-se com o mundo exterior. Nepheshdá o sentido literal de “respiração da vida” (Sl 107.5,9; Gn 35.18; 1Rs 17.21; Dt 12.23; Lv 17.14; Pv 14.10; Jó 16.13; Ap 2.23; Ecl 11.5; Sl 139.13-16).

c) O espírito: No hebraico é ruach e no grego, pneuma. O espírito do homem não é simples sopro ou fôlego, é vida imortal (Ec 12.7; Lc 20.37; 1Co 15.53; Dn 12.2). O espírito é o princípio ativo de nossa vida espiritual, religiosa e imortal. É o elemento de comunicação entre Deus e o homem. Certo autor cristão escreveu que “corpo, alma e espírito não são outra coisa que a base real dos três elementos do homem: consciência do mundo externo, consciência própria e consciência de Deus”.

Os Filhos de Deus e as Filhas dos Homens

Os Filhos de Deus e as Filhas dos Homens

 

Introdução

As tentativas de se produzir uma raça superior não tiveram início com Adolf Hitler, nem terminaram com ele. Nossa geração parece ter fixação por super humanos. Super Homem, Homem Biônico, Mulher Biônica, Hulk, e muitos outros personagens da televisão versam sobre o mesmo tema. E o domínio dessa super-raça não deve ser entendido apenas no campo da ficção. É quase assustador saber que os geneticistas vêm tentando criar humanos superiores enquanto o aborto pode se tornar um meio de eliminar sistematicamente os indesejáveis. Outro dia, li no jornal um artigo que falava sobre uma organização que disponibiliza o esperma de ganhadores do Prêmio Nobel para determinadas mulheres.

Contudo, é bem mais difícil determinar as últimas consequências dessas tentativas do que encontrar sua origem. Seu início está registrado no sexto capítulo do livro de Gênesis. Devo dizer, no entanto, antes de começar o estudo, que há mais discordância por centímetro quadrado neste texto do que em qualquer outro lugar da Bíblia. Em geral, as maiores dificuldades com esta passagem vêm dos teólogos conservadores. Isso se deve ao fato da narrativa ser classificada como lenda por aqueles que não tomam a Bíblia ao pé da letra ou não a levam a sério. Os eruditos conservadores precisam explicar este episódio de acordo com aquilo que Moisés afirmou ser, um acontecimento histórico. Embora o texto suscite grandes diferenças de interpretação, isso não tem muita importância, pois não irá afetar o fundamento da salvação eterna de ninguém. Em geral, as pessoas de quem mais discordo são justamente meus irmãos em Cristo.

Quem, afinal, são os “Filhos de Deus”?

A interpretação dos versículos 1 a 8 depende da definição de três termos-chave: “os filhos de Deus” (2 e 4), “as filhas dos homens” (2 e 4), e os “nefilins” (4). Existem três interpretações principais destes termos que tentarei descrever, começando por aquela que, a meu ver, é a menos provável, e terminando com a que me parece mais satisfatória.

POSIÇÃO 1:

A UNIÃO DOS ÍMPIOS DESCENDENTES DE CAIM COM OS PIEDOSOS DESCENDENTES DE SETE

Segundo quem defende este ponto de vista, “os filhos de Deus” são os homens piedosos da linhagem de Sete. As “filhas dos homens”, as filhas dos ímpios cainitas. E os “nefilins”, os homens ímpios e violentos resultantes dessa união pecaminosa.

O principal fundamento para essa interpretação é o contexto dos capítulos 4 e 5. O capítulo quatro descreve a ímpia geração de Caim, enquanto no capítulo cinco vemos a piedosa linhagem de Sete. Em Israel, a separação era uma parte vital da responsabilidade religiosa daqueles que verdadeiramente adoravam a Deus. O acontecimento do capítulo seis foi uma transgressão dessa separação que ameaçou a descendência piedosa da qual devia nascer o Messias. Essa transgressão foi a causa do dilúvio que viria a seguir. O mundo ímpio foi destruído e o justo Noé e sua família, por meio de quem seria cumprida a promessa de Gênesis 3:15, foram preservados.

Embora esta interpretação tenha a característica louvável de explicar a passagem sem criar problemas doutrinários ou teológicos, o que ela oferece em termos de ortodoxia é feito às expensas de uma prática exegética aceitável.

Em primeiro lugar, as definições dadas por essa interpretação não emergem do texto ou mesmo se adaptam a ele. Em lugar algum os descendentes de Sete são chamados de “os filhos de Deus”.

O contraste entre a linhagem piedosa de Sete e a linhagem ímpia de Caim talvez seja enfatizado demais. Não tenho absoluta certeza de que a linhagem de Sete, como um todo, tenha sido piedosa. Enquanto todos os descendentes da linhagem de Caim parecem ter sido ímpios, só um punhado dos descendentes de Sete são chamados de piedosos. O ponto que Moisés deseja ressaltar no capítulo cinco é que Deus preservou um remanescente justo pelo qual Suas promessas a Adão e Eva seriam cumpridas. Tem-se a distinta impressão de que bem poucas pessoas temiam a Deus naqueles dias (cf. 6:5-7, 12). Aparentemente, só Noé e sua família podiam ser chamados de justos na época do dilúvio. Teria Deus deixado de salvar algum justo?

Além disso, “as filhas dos homens” dificilmente poderiam se limitar somente às filhas dos cainitas. No versículo um Moisés escreveu: “como se foram multiplicando os homens na terra, e lhes nasceram filhas” (Gênesis 6:1).

É difícil concluir que os “homens” aqui não sejam os homens em geral ou a raça humana. Segue-se que a referência às suas “filhas” seria igualmente geral. Deduzir que as “filhas dos homens” no versículo dois seja algo diferente, um grupo mais restrito, é ignorar o contexto da passagem.

Por estas e outras razões, devo concluir que esta posição é exegeticamente inaceitável. Embora cumpra os requisitos da ortodoxia, ela não se submete às leis da interpretação.

POSIÇÃO 2:

A INTERPRETAÇÃO DOS DÉSPOTAS

Reconhecendo as deficiências da primeira posição, alguns eruditos procuraram definir a expressão “os filhos de Deus” comparando-a com as línguas do antigo Oriente Próximo. É interessante saber que alguns governantes eram identificados como filho de um deus em particular. No Egito, por exemplo, o rei era chamado de filho de Rá.

No Antigo Testamento, a palavra hebraica para Deus, Elohim, é usada para homens em posição de autoridade:

Então, o seu senhor o levará aos juízes que agirão em nome de Deus. (Êxodo 21:6, seguido do comentário à margem da NASV)

Deus assiste em Sua própria congregação; Ele julga em meio aos governantes (literalmente, os deuses, Salmo 82:1, cf. também 82:6)

Esta interpretação, como a dos anjos caídos, tem suas raízes na antiguidade. De acordo com esta proposta, os “filhos de Deus” são nobres, aristocratas e reis.

Esses déspotas ambiciosos cobiçavam poder e riqueza e queriam se tornar “homens de renome”, ou seja, célebres (cf. 11:4)! Seu pecado não era o “casamento misto entre dois grupos, ou entre dois mundos (anjos e homens), ou entre duas comunidades religiosas (descendentes de Sete e de Caim), ou ainda entre duas classes sociais (plebe e realeza) — seu pecado era a poligamia”. Era o mesmo tipo de pecado de Lameque, o descendente de Caim, o pecado da poligamia, mais especificamente visto na forma de um harém, instituição característica da corte de um antigo déspota oriental. Nessa transgressão, os “filhos de Deus”, com frequência, violavam o dever sagrado de seu ofício como guardiães das ordenanças gerais de Deus para a conduta humana.

No contexto de Gênesis 4 e 5, encontramos algumas evidências que poderiam ser interpretadas como suporte ao ponto de vista sobre os déspotas. Caim edificou uma cidade e em seguida deu a ela o nome de seu filho Enoque (versículo 4:17). As dinastias seriam mais facilmente estabelecidas num ambiente urbano. Sabemos, ainda, que Lameque teve duas mulheres (versículo 4:19). Embora isso esteja bem longe de ser um harém, poderia ser visto como um passo nessa direção. Esta posição também define “as filhas dos homens” como mulheres e não só como as filhas da linhagem de Caim.

Apesar desses fatores, esta interpretação provavelmente nunca teria sido concebida não fossem os “problemas” criados pela posição sobre os anjos caídos. Embora os reis pagãos fossem considerados como filhos de alguma divindade, nenhum rei israelita foi assim designado. É bem verdade que os nobres e algumas autoridades foram, ocasionalmente, chamados de “deuses”, mas não de “filhos de Deus”. Essa interpretação prefere ignorar a definição precisa fornecida pelas próprias Escrituras.

Além disso, toda a idéia de homens famintos de poder, procurando estabelecer uma dinastia com a formação de um harém, parece forçada nessa passagem. Quem teria tirado essa idéia do próprio texto, a menos que impusesse isso a ele? E mais, a definição dos nefilins como sendo meros homens violentos e tirânicos também parece inadequada. Por que tais homens seriam mencionados com tanta deferência se fossem como quaisquer outros daquela época? (cf. 6:11, 12). Embora a interpretação dos déspotas seja menos violenta ao texto do que a dos descendentes de Sete e Caim, ainda assim ela me parece inapropriada.

POSIÇÃO 3:

A INTERPRETAÇÃO DOS ANJOS CAÍDOS

De acordo com esta posição, os “filhos de Deus” dos versículos 2 e 4 são anjos caídos, os quais assumiram uma forma semelhante à dos homens. Esses anjos se casaram com mulheres da raça humana (descendentes de Caim ou de Sete) e a descendência resultante foram os nefilins. Os nefilins eram gigantes de superioridade física, os quais, por isso, se estabeleceram como homens de renome pelas suas proezas físicas e poderio militar. Essa raça de criaturas meio humanas foi varrida pelo dilúvio, junto com a humanidade em geral, pecadores confessos (versículos 6:11, 12).

Minha pressuposição básica na abordagem do nosso texto é que devemos deixar a Bíblia definir seus próprios termos. Se as definições bíblicas não forem encontradas, então devemos examinar a linguagem e a cultura dos povos contemporâneos. No entanto, a Bíblia define para nós o termo “os filhos de Deus”.

Um dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor, veio também Satanás entre eles. (Jó 1:6)

Num dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o SENHOR, veio também Satanás entre eles se apresentar perante o SENHOR. (Jó 2:1)

Quando as estrelas da alva, juntas, alegremente cantavam, e rejubilavam todos os filhos de Deus? (Jó 38:7, cf. Salmo 89:6, Daniel 3:25)

Os eruditos que rejeitam esta posição prontamente reconhecem o fato de que o termo exato é claramente definido na Escritura. A razão pela qual rejeitam a interpretação dos anjos caídos é por acharem que esse ponto de vista é uma afronta à razão e à Escritura.

A principal passagem problemática citada é a do evangelho de Mateus, onde nosso Senhor disse: “Errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus. Porque, na ressurreição, nem casam, nem se dão em casamento; são, porém, como os anjos no céu” (Mateus 22:29-30).

Eles dizem que nosso Senhor falou que anjos não têm sexo, mas isso é mesmo verdade? Jesus estava comparando homens no céu com anjos no céu. Não está escrito que, no céu, homens ou anjos sejam assexuados, e sim que no céu não haverá casamento. Não há anjos femininos com quem os anjos possam gerar descendência. Nunca foi dito aos anjos “crescei e multiplicai-vos”, como foi dito ao homem.

Quando encontramos anjos descritos no livro de Gênesis, fica claro que eles podem assumir a forma humana, e que seu sexo é masculino. O escritor aos Hebreus menciona o fato de eles poderem ser hospedados sem o conhecimento das pessoas (Hebreus 13:2). Com certeza, eles devem ser bem convincentes como homens. Os homossexuais de Sodoma eram muito bons para julgar a sexualidade. Eles foram atraídos pela “masculinidade” dos anjos que foram lá para destruir a cidade (cf. Gênesis 19:1 e ss, especialmente o versículo 5).

No Novo Testamento, duas passagens parecem se referir ao incidente de Gênesis 6, e dão base à interpretação dos anjos:

Ora, se Deus não poupou a anjos quando pecaram, antes, precipitando-os no inferno os entregou a abismos de trevas, reservando-os para o juízo. (2 Pedro 2:4)

E a anjos, os que não guardaram o seu estado original, mas abandonaram o seu próprio domicílio, ele tem guardado sob trevas, em algemas eternas, para o juízo do Grande Dia. (Judas 6)

Estes versículos podem indicar que alguns anjos que caíram com Satanás não ficaram contentes com seu “próprio domicílio” e, por isso, começaram a viver entre os homens (e mulheres) como homens. O julgamento de Deus foi colocá-los em algemas para que não pudessem mais servir aos propósitos de Satanás na terra como fazem os anjos caídos que ainda estão soltos executando suas ordens.

Os nefilins são claramente indicados como resultado da união entre os anjos caídos e as mulheres. Embora os estudos dessa palavra apresentem diversas sugestões para o significado do termo, sua definição bíblica vem de apenas um outro exemplo na Escritura, Números 13:33:

Também vimos ali gigantes (nefilins, os filhos de Anaque são descendentes de gigantes), e éramos, aos nossos próprios olhos, como gafanhotos e assim também o éramos aos seus olhos.

Portanto, entendo que os nefilins sejam uma raça de super-humanos, produto dessa invasão angélica à terra.

Esta interpretação não só está em conformidade com o uso bíblico da expressão “filhos de Deus”, como também é a que mais se encaixa no contexto da passagem. Os efeitos da queda são vistos na descendência ímpia de Caim (capítulo 4). Embora ele e seus descendentes estivessem “sob o domínio de Satanás”, Satanás conhecia muito bem as palavras de Deus de Gênesis 3:15, que dá descendência da mulher Deus traria o Messias que iria destruí-lo. Não sabemos se toda a linhagem de Sete foi temente a Deus. Na verdade, podemos supor exatamente o contrário. Só Noé e sua família direta parecem justos na época do dilúvio.

Gênesis seis descreve uma tentativa desesperada de Satanás para atacar o remanescente piedoso mencionado no capítulo cinco. Enquanto um descendente justo é preservado, a promessa de Deus paira sobre a cabeça de Satanás, como uma ameaça da sua destruição iminente.

As filhas dos homens não foram violentadas ou seduzidas. Elas simplesmente escolheram o marido da mesma forma que os anjos as selecionaram — pela atração física. Ora, se naquela época, você fosse uma mulher desimpedida, a quem escolheria? A um homem atraente e musculoso, famoso por sua força e por seus feitos, ou a alguém que comparado a ele tivesse a aparência de um fracote de meia tigela?

Aquelas mulheres tinham esperança de ser a mãe do Salvador. Quem seria o pai mais provável dessa criança? Não seria um “valente de renome”, que também podia se gabar de imortalidade? Alguns descendentes piedosos de Sete viveram quase 1000 anos, mas os nefilins não morreriam se fossem anjos. E assim começou uma nova raça.

Será que Deus Muda de Ideia?

Enquanto os versículos 1 a 4 ressaltam a invasão dos anjos no início de uma nova super-raça, os versículos 5 a 7 servem para informar que a humanidade em geral merecia a intervenção destrutiva de Deus na história — o dilúvio.  No entanto, é aqui que encontramos um problema muito sério, pois quase parece que Deus muda de ideia, como se a criação do homem fosse um erro colossal da Sua parte. Vamos tratar, então, da questão: “Será que Deus muda de ideia? ” Vários fatores precisam ser considerados.

Primeiro, Deus é imutável, Ele não muda em Sua pessoa, em Sua perfeição, em Seus propósitos e em Suas promessas.

Deus não é homem para que minta, e nem filho de homem para que se arrependa. Porventura tendo ele prometido não o fará, ou tendo ele falado, não o cumprirá? (Números 23:19)

Também a glória de Israel não mente, nem se arrepende, porquanto não é homem, para que se arrependa. (1 Samuel. 15:29, cf. também Salmos 33:11, 102:26-28, Hebreus 1:11-12, Malaquias 3:6, Romanos 11:29, Hebreus 13:8 e Tiago 1:17).

Segundo, há passagens nas quais “parece” que Deus muda de ideia.

Disse mais o Senhor a Moisés: Tenho visto este povo, e eis que é povo de dura cerviz. Agora, pois, deixa-me, para que se acenda contra eles o meu furor, e eu os consuma; e de ti farei uma grande nação… Então, se arrependeu o Senhor do mal que dissera havia de fazer ao povo. (Êxodo 32:9-10, 14)

Viu Deus o que fizerem, como se converteram do seu mal caminho e Deus se arrependeu do mal que tinha dito lhes faria e não o fez. (Jonas 3:10)

Então o Senhor se arrependeu disso. Não acontecerá, disse o Senhor… E o Senhor se arrependeu disso. Também não acontecerá, disse o Senhor Deus. (Amós 7:3, 6)

Terceiro, nos casos onde Deus “parece” mudar de ideia, uma ou mais das seguintes considerações pode ser aplicada:

  1. a) A expressão “Deus se arrependeu” é um antropomorfismo, ou seja, uma descrição de Deus que assemelha Suas ações às ações do homem. De outra forma, como o homem poderia entender o pensamento de Deus? O “mudar de ideia” de Deus pode ser apenas a maneira de ver da perspectiva do homem. Em ambos os textos, de Gênesis 22 (cf. versículos 2, 11-12) e de Êxodo 32, o que Deus propôs foi uma prova. Nos dois casos, Seu propósito eterno não mudou.
  2. b) Nos casos em que tanto julgamento quanto bênção são prometidos, pode haver uma condição implícita ou explícita. A mensagem pregada por Jonas aos ninivitas é um deles:

Começou Jonas a percorrer a cidade de caminho dum dia, e pregava, e dizia: Ainda quarenta dias, e Nínive será subvertida. Os ninivitas creram em Deus e proclamaram um jejum, e vestiram-se de pano de saco, desde o maior até o menor. Chegou esta notícia ao rei de Nínive: ele levantou-se do seu trono, tirou de si as vestes reais. cobriu-se de pano de saco e assentou-se sobre a cinza. E fez-se proclamar e divulgar em Nínive: Por mandato do rei e seus grandes, nem homens, nem animais, nem bois, nem ovelhas provem coisa alguma, nem, os levem ao pasto, nem bebam água; mas, sejam cobertos de pano de saco, tanto os homens como os animais, e clamarão fortemente a Deus; e se converterão, cada um do seu mau caminho e da violência que há nas suas mãos. Quem sabe se voltará Deus, e se arrependerá, e se apartará do furor da sua ira, de sorte que não pereçamos? (Jonas 3:4-9)

O que era desejado pelos ninivitas, para Jonas era um fato. Eles clamaram por misericórdia e perdão, no caso de Deus poder ouvir e perdoar. Quando eles se arrependeram e Deus demonstrou compaixão, Jonas ficou louco de raiva:

Com isso, desgostou-se Jonas extremamente e ficou irado. E orou ao Senhor e disse: Não foi isso o que eu disse, estando ainda na minha terra? Por isso, me adiantei, fugindo para Társis, pois sabia que és Deus clemente, e misericordioso, e tardio em irar-se, e grande em benignidade, e que se arrepende do mal. (Jonas 4:1-2)

Jonas sabia que Deus era amoroso e clemente. A mensagem pregada por ele indicava uma exceção. Se os ninivitas se arrependessem, Deus os perdoaria. Foi sobre isso que Jeremias escreveu, dizendo:

No momento em que eu falar acerca de uma nação de ou de um reino para o arrancar, derribar e destruir, se tal nação se converter da maldade contra a qual eu falei, também eu me arrependerei do mal que pensava fazer-lhe. E, no momento em que eu falar acerca de uma nação ou de um reino, para o edificar e plantar, se ele fizer o que é mal perante mim e não der ouvidos à minha voz, então, me arrependerei do bem que houvera dito lhe faria. (Jeremias 18:7-10)

  1. c) Embora o decreto de Deus não possa ser alterado, precisamos admitir que Ele é livre para agir como quiser. E, embora Seu roteiro possa mudar, Seus propósitos não mudam, “porque os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis” (Romanos 11:29).

Deus prometeu levar Seu povo à terra de Canaã. Devido à sua incredulidade, a primeira geração não tomou posse da terra, mas a segunda sim. Quando Jesus veio, Ele Se ofereceu a Israel como o Messias. A rejeição de Israel tornou possível oferecer o evangelho aos gentios. Apesar disso, quando os propósitos de Deus para os gentios forem cumpridos, Deus derramará Sua graça e salvação novamente sobre os judeus. O roteiro de Deus pode mudar, mas não Seus propósitos (cf. Romanos 9-11).

  1. d) Ainda que a vontade de Deus (Seu decreto) não possa mudar e não mude, Ele é livre para mudar Suas emoções. Gênesis 6:6-7 descreve a reação de Deus ao pecado humano. Pesar é a resposta de amor ao pecado. Deus não é estóico; Ele é uma pessoa que Se regozija na salvação do homem e em sua obediência, e que Se aflige diante da incredulidade e da desobediência. Embora o propósito de Deus para a raça humana não mude, Sua atitude muda. Com certeza, um Deus Santo deve Se sentir diferente com relação ao pecado e com relação à obediência. Esse é o ponto dos versículos seis e sete. Deus é afligido pelo pecado do homem e suas consequências. No entanto, Ele cumprirá Seus propósitos independentemente disso. Embora tal circunstância tenha sido decretada desde a eternidade pretérita, Deus jamais poderia se regojizar nela, só lamentar a maldade e a obstinação do homem.

Uma ilustração semelhante é a reação emocional de nosso Senhor no Jardim do Getsêmani (cf. Mateus 26:36 e ss). Desde a eternidade pretérita Ele tinha Se proposto a ir à cruz para comprar a salvação do homem. No entanto, quando o momento da Sua agonia se aproximou, Ele teve medo. Seu propósito não mudou, mas Suas emoções, sim.

O Significado desta Passagem para o Israel Antigo

Para os antigos israelitas esta passagem ensinou diversas lições valiosas. Primeiro, ela lhes deu uma explicação adequada para o dilúvio. Podemos entender que aquela super-raça tinha de ser eliminada. O dilúvio não foi apenas uma forma de Deus julgar os homens pecaminosos, mas também de cumprir Sua promessa de trazer salvação pelo descendente da mulher. Se o relacionamento entre anjos e homens não tivesse sido interrompido, o remanescente piedoso teria deixado de existir (humanamente falando). Segundo, a passagem ilustrou o que Deus tinha dito à serpente, Adão e Eva: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente” (Gênesis 3:15a).

Israel não ousou esquecer que havia uma intensa batalha sendo travada, não só entre os descendentes de Caim e Sete, mas entre Satanás e o descendente da mulher. Embora nós estejamos acostumados a tal ênfase no Novo Testamento, os antigos tinham poucas referências diretas a Satanás ou a seus assistentes demoníacos (cf. Gênesis 3, Deuteronômio 32:17, 1 Crônicas 21:1, Jó 1 e 2, Salmo 106:37, Daniel 10:13, Zacarias 3:1-2). Esta passagem seria uma vívida lembrança da exatidão da Palavra de Deus.

Terceiro, a passagem ressaltou a importância de Israel manter sua pureza racial e espiritual. O remanescente crente em Deus tinha de ser preservado. Quando os homens deixaram de perceber a importância disso, Deus teve de julgá-los com rigor. Quando a nação entrasse na terra de Canaã, poucas lições seriam mais importantes do que a necessidade de separação.

O Significado de Gênesis 6 para os Cristãos Atuais

Muito embora o Novo Testamento tenha muito mais a dizer sobre as atividades de Satanás e seus demônios, poucos de nós parecem levar a sério a nossa luta espiritual. Nós realmente acreditamos que a igreja consegue operar somente com o esforço e a sabedoria humana, ou com uma ajudazinha de Deus. Muitas vezes tentamos viver a vida espiritual no poder da carne. Dizemos às pessoas para fazer uma nova dedicação da sua vida e redobrar seus esforços, mas deixamos de lhes dizer que a nossa única força é aquela que Deus nos dá.

Hoje, a batalha travada entre os filhos de Satanás e os filhos de Deus (no sentido do Novo Testamento — João 1:12, Romanos 8:14, 19) é muito mais intensa do que foi nos tempos antigos. O destino de Satanás está selado e seus dias estão contados (cf. Mateus 8:29). Vamos, pois, nos revestir da armadura espiritual de Deus para a luta espiritual de que somos parte (Efésios 6:10-20).

Em segundo lugar, precisamos entender que Satanás ainda hoje nos ataca com os mesmos instrumentos. Não conheço nenhum caso de seres angélicos caídos invadindo a terra em forma humana para promover a causa de Satanás em nossos dias. No entanto, Satanás continua trabalhando sutilmente por intermédio dos homens.

Porque os tais são falsos apóstolos, obreiros fraudulentos, transformando-se em apóstolos de Cristo. E não é de se admirar, porque o próprio Satanás se transforma em anjo de luz. Não é muito, pois, que os seus próprios ministros se transformem em ministros de justiça; e o fim deles será conforme as suas obras. (2 Coríntios 11:13-15)

Assim como Satanás procurou corromper os homens manifestando-se (ou melhor, seus anjos) na forma de seres humanos superiores, hoje ele usa os “anjos de luz”. Nossa tendência é supor que, na maioria das vezes, ele use os réprobos. Às vezes, até parece que esperamos encontrá-lo num patético endemoninhado ou num pobre-coitado desesperado. É fácil atribuir a Satanás esse tipo de coisa. No entanto, seu melhor trabalho e, em minha opinião, o mais comum, é quando usa pregadores aparentemente piedosos, devotos e religiosos que estão atrás do púlpito, ou se assentam no Conselho da igreja, falando de salvação em termos de comunidade e não de almas, e pelas obras ao invés da fé. Satanás continua promovendo sua causa usando homens que não são o que parecem ser.

Por fim, observe que o melhor trabalho de Satanás está justamente nas áreas onde homens e mulheres depositam a esperança da sua salvação. Quando os homens-anjos pediram as filhas dos homens em casamento, eles deviam parecer pais dos mais promissores. Se tais criaturas fossem imortais, sua descendência também não seria? Seria esta a forma de Deus reverter os efeitos da queda e da maldição? Assim deve ter parecido àquelas mulheres.

E é exatamente isso o que Satanás faz ainda hoje. Ah, mas não pense que ele esteja se autopromovendo através do ateísmo ou de outros “ismos”, pois o lugar onde ele faz mais sucesso é justamente na religião. Ele usa sua expressão mais piedosa e emprega terminologia religiosa. Ele não procura acabar com a religião, mas retira dela seu elemento crucial, a fé no sangue derramado de Jesus Cristo como substituto para o pecado dos homens. Ele está sempre pronto a se juntar a qualquer causa religiosa, desde que esse ingrediente seja omitido ou distorcido, ou fique perdido num labirinto de legalismo e libertinagem. Cuidado, meu amigo, Satanás está no mundo da religião. Que melhor maneira de desviar a alma dos santos e de cegar a mente dos homens (2 Coríntios 4:4)?

Onde está sua esperança de imortalidade? Está na sua descendência? Isso não funcionou para Caim. Está no seu trabalho? Você quer construir um império ou erigir um monumento dedicado ao seu nome? Você não será o último. Tudo isso sucumbiu no dilúvio do julgamento de Deus. Só a fé no Deus da Bíblia e, mais especificamente, no Filho enviado por Ele, lhe dará imortalidade e o libertará da maldição. O único jeito para isso acontecer é você se tornar um filho de Deus por intermédio do Filho de Deus.

Jesus lhe disse: Eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vem ao Pai senão por mim. (João 4:6)

Tradução e Revisão: Mariza Regina de Souza

O problema mais sério desse ponto de vista se encontra  no versículo 4. Sob todos os aspectos, os gigantes (nephilim) e os homens poderosos (gibborim) são os descendentes dos casamentos entre os “filhos de Deus” e as “filhas dos homens”. Como diz Kline:

“De forma alguma fica clara a razão pela qual a descendência de casamentos mistos deva ser nephilim-gibborim, no entanto, estes devem ser entendidos dentro do alcance da interpretação provável… Mas sua (a do autor bíblico) referência ao ato conjugal e à gestação encontra justificativa apenas se ele estiver descrevendo a origem dos nephilim-gibborim. A menos que a dificuldade resultante dessa conclusão seja superada, a interpretação do casamento misto nesta passagem deve ser definitivamente descartada”.

Para resumir o problema: “Por que é declarado o tipo de descendência mencionada no versículo quatro se aqueles foram apenas casamentos mistos?” Manfred E. Kober, The Sons of God of Genesis 6: Demons, Degenerates, or Despots? p. 15. Kober cita aqui Meredith G. Kline, “Divine Kingship and Genesis 6:1-4”, Westminster Theological Journal, XXIV, Nov. 1961- May 1962, p. 190.

“No Egito o rei era chamado de o filho de Ra (o deus-sol). O rei Sumero-Akkadian era considerado descendente da deusa e um dos deuses, e essa identificação com a divindade remonta aos primórdios, de acordo com Engell. Em uma inscrição há uma referência a ele como “o rei, o filho de seu deus”. O rei Hitita era chamado “filho do deus-tempo”, e o título de sua mãe era Tawannannas (mãe do deus). Na região semítica noroeste o rei era diretamente chamado de filho de deus e o deus era chamado de pai do rei. O texto Ras Shamra (Ugarítico) Krt se refere a deus como o pai do rei e o rei Krt como Krt bn il, o filho de el ou o filho de deus. Assim, com base no uso semítico, o termo be ne ha elohim, os “filhos de deus” ou “filhos dos deuses”, muito provavelmente se refere aos governantes da dinastia de Gênesis 6.” An Exegetical Study of Genesis 6:1-4, Journal of the Evangelical Theological Society, XIII, inverno 1970, pp. 47-48, como citado por Kober, p. 19.

Em excelente artigo apresentando sobre esta posição, Kline escreve que, nos tempos antigos, surgiu entre os judeus a opinião de que os “filhos de Deus” de Gênesis 6 seriam aristocratas, príncipes, e nobres, em contraste com as socialmente inferiores “filhas dos homens”. Dessa interpretação, por exemplo, chegou-se à expressão no Targum Aramaico (o Targum de Onkelos traduz o termo como “filhos dos nobres”) e na tradução grega de Symmachus (que interpreta “os filhos de reis ou lordes”) e é seguida por muitas autoridades judaicas até o presente”. Kober, pp; 16-17, referindo-se a Kline, p. 194.

Kober, p. 16, citando Birney, p. 49 e Kline, p. 196.

Por exemplo, W. H. Griffith Thomas, que sustenta a posição dos descendentes de Caim e de Sete, diz:

“O versículo 2 fala da união de duas linhagem pelo casamento misto. Alguns escritores consideram a frase “filhos de Deus” como se referindo aos anjos, o que é apoiado por outras passagens —  cf. Jó 1:6; Salmo 28:1, Daniel. 3:25 — e, de fato, em qualquer lugar da Escritura, a frase invariavelmente quer dizer anjos”. Genesis: A Devotional Commentary (Grand Rapids: Wm. B. Eerdmans Publishing Co., 1946), p. 65.

Será que não é este o cativeiro temido pelos demônios em Marcos 5:10 e Lucas 8:31?

Será que o fato de os nefilins serem mencionados depois do dilúvio significa que essa prática continuou mesmo depois dele? Alguns pensam que sim, enfatizando a frase “e também depois” (Gênesis 6:4). Se foi assim, precisamos dizer que isso não ameaçou a promessa de Deus naquela época. Só seria um reforço à  importância de não se casar com alguém dos cananeus, entre os quais se encontravam os nefilins.

Pessoalmente, não acho que a super-raça tenha aparecido após o dilúvio. A expressão nefilim, da forma como a entendo, não é sinônima desta, uma super-raça, mas a descrição dela. Refere-se simplesmente à grande estrutura física deles, exatamente como as outras expressões (“homens poderosos”, “homens de renome”) se referem à sua reputação e ao seu poderio militar. Não acho que precisamos encontrar criaturas super-humanas em Números 13:33, só gigantes. A palavra nefilim, portanto, é definida por Moisés em Números como se referindo a uma grande estatura física. Nenhum nome técnico é dado à super-raça, somente descrições que podem ser usadas em qualquer outro lugar para outras criaturas que não sejam anjos.

Robert L. (Bob)Deffinbaugh.

Até a tristeza salta de alegria?

Até a tristeza salta de alegria?

 

PERANTE DEUS ATÉ A TRISTEZA SALTA DE PRAZER?

Quantos pregadores, alguns de até renome afirmam com base em Jó 41.22, que “perante Deus até a tristeza salta de prazer”. Alguns expoentes, após a leitura desse versículo bíblico, até mandam os irmãos olharem uns para os outros e dizerem: “O Deus que põe fim à tristeza, transformando-a em alegria, está conosco”. Ora, a quem o aludido texto de Jó se refere? Intuitivamente, qualquer pessoa responderia: “A Deus, é claro”, visto que o Senhor, de fato, espanta a tristeza por meio da alegria, uma vez que na presença dEle há abundância de alegria, diz o salmista (Salmos 16.11).

Que tal fazermos uma leitura rápida do capítulo 41 do livro de Jó? Aliás, antes disso, é importante observar que, no capítulo 38, Deus começou a chamar a atenção do patriarca Jó para a obra da sua maravilhosa criação: “Onde estavas tu, quando eu fundava a terra? ” (v. 4). A partir do capítulo 40, Deus mostra a Jó a força de alguns animais, destacando o beemote (um grande quadrúpede das selvas, similar ao hipopótamo) e o “monstro das águas”, o leviatã, termo que o famoso filósofo — e teólogo — inglês Thomas Hobbes tomou emprestado, no século XVII, para descrever o Estado.
Segue-se que o texto de Jó 41.22 (ARC) —”No seu pescoço pousa a força; perante ele, até a tristeza salta de prazer” — é a continuação da descrição das características do leviatã e nada tem que ver com Deus! Mas, antes que alguém resolva sair por aí pregando que a tristeza salta de prazer diante do leviatã, permita-me explicar o versículo em apreço à luz da Teologia Exegética, ciência que abarca Hermenêutica e Exegese. Em Jó 41 vemos uma descrição hiperbólica do leviatã (animal similar a um crocodilo, mas muito maior em tamanho), a qual aponta para a ferocidade desse animal. A versão bíblica Revista e Atualizada de Almeida (ARA) apresenta uma tradução um pouco mais clara do versículo 22: “diante dele salta o desespero”.

Já a Almeida Revista e Corrigida (ARC) foi baseada num manuscrito que contém uma falha do copista. Antigamente, todas as cópias eram feitas à mão; no hebraico bíblico, um pequeno sinal, quase imperceptível, é capaz de mudar completamente o sentido de uma palavra. O capítulo 41 de Jó apresenta, também, uma descrição do leviatã difícil de se entender: “Cada um dos seus espirros faz resplandecer a luz” (v. 18); “Da sua boca saem tochas” (v. 19); “Do seu nariz procede fumaça” (v 20); e “O seu hálito faria acender os carvões” (v. 21). Essas características, evidentemente, devem ser interpretadas como figuras poéticas de grande valentia do animal, e não como características reais.
Por que o texto de Jó 41.22 faz referência ao leviatã, e não a Deus? Porque, diante do exposto, o Criador — ao descrever a Jó as características de suas criaturas — tinha como objetivo convencer seu servo, que estava se gabando de sua justiça perante seus amigos, de sua pequenez. Veja a ironia de Deus nesta pergunta retórica: “Poderás pescar com anzol o leviatã, ou ligarás a sua língua com a corda?” (v. 1). Ele queria mostrar a Jó, através do indomável, terrível e indomesticável animal (v. 7), coberto de escamas duras como o ferro (vv. 15-17,26), o seu poder como Criador e Senhor: “Ninguém há tão atrevido, que a despertá-lo se atreva; quem, pois, é aquele que ousa erguer-se diante de mim?” (v. 10).

Portanto, o expoente das Escrituras que se preza nunca deve desprezar o contexto de uma passagem bíblica. As Escrituras foram divididas em capítulos e versículos apenas para que haja maior facilidade na procura de textos, mas isso não significa que um versículo tem autoridade em si mesmo, de forma isolada. A interpretação de cada versículo deve ser feita em sintonia com os contextos geral, imediato, referencial, histórico-cultural e literário.

Ciro Sanches Zibordi

Samuel e a escola de profetas

Samuel e a escola de profetas

INTRODUÇÃO

Texto Áureo: II Tm. 2.1,2 – Leitura Bíblica: II Rs. 6.1-7

O ensino sempre teve papel primordial na cultura judaico-cristã, a palavra de Deus sempre ocupou lugar primordial na instrução, desde a infância. Por isso, na aula de hoje, trataremos a respeito desse importante ministério eclesiástico. Mostraremos, a princípio, a relevância da Escola dos Profetas nos tempos de Eliseu. Em seguida, apontaremos os fundamentos bíblicos para o ensino da igreja. Ao final, destacaremos a necessidade do ensino sistematizado da Bíblia na Igreja local.

  1. A ESCOLA DOS PROFETAS

A escola dos profetas, ao que tudo indica, teria sido o primeiro seminário teológico dos tempos bíblicos. Essa escola teria sido organizada por Samuel, que acumulou o ministério de profeta, sacerdote e Juiz (I Sm. 10.5; 19.20). Elias e Eliseu foram os responsáveis pela consolidação da escola dos profetas, a contribuição deles fez com que essa escola funcionasse como resistência à apostasia que havia se estabelecido no reino do norte (II Rs. 2.3; 4.38; 6.1). A escola dos profetas estava fundamentada no ensinamento bíblico, por isso, as instruções eram tanto morais quanto espirituais. Não era uma escola apenas para dotar os alunos com conhecimento, mas, sobretudo, para que esses tivessem uma profunda experiência com Deus. Os profetas não aprendiam apenas conteúdo bíblico, eles também eram inseridos no sobrenatural, nos milagres de Deus. A escola dos profetas foi estabelecida em Ramá, e provavelmente, em Gibeá (I Sm. 19.20; 10.5,10). Centros de estudos também estavam espalhados em Gilgal, Betel e Jericó (II Rs. 4.38; 2.3,5,7,15; 4.1; 9.1). Cerca de cem estudantes faziam parte da escola dos profetas comandada por Eliseu em Gilgal (II Rs. 4.38,42,43). Quando Elias e Eliseu foram ao rio Jordão encontrava-se com eles cinquenta estudantes da escola dos profetas (II Rs. 2.7,16,17). O estilo de vida deles era em comunidade, em uma casa comum, na companhia dos profetas (II Rs. 6.1). Alguns deles eram casados e tinham filhos (II Rs. 4.1) e acompanhavam os homens de Deus, por isso eram chamados de filhos dos profetas. A escola dos profetas dava também aos estudantes uma formação musical, a fim de que pudessem oferecer ao Senhor música de qualidade para a adoração a Deus (I Sm. 10.5).

  1. FUNDAMENTOS CRISTÃOS PARA O ENSINO NA IGREJA

O ensino bíblico-teológico sempre teve relevância na igreja cristã, não podemos esquecer que a Grande Comissão destacava a necessidade de fazer discípulos, e de ensiná-los a Palavra de Deus (Mt. 28.20). Os próprios mestres, aqueles que ensinam na igreja, são dádivas de Deus, e portanto, devem ser considerados como ministros do Senhor (Ef. 4.11). A ausência de ensinamentos bíblicos bem fundamentados é danosa para a igreja, já que possibilita a entrada de falsos mestres, e a manifestação da apostasia (Hb. 6.1). Por isso Paulo orienta o jovem pastor Timóteo para que esse invista no ensino, que escolha mestres para ensinaram e repassarem a mensagem às novas gerações (II Tm. 2.2). Tais pessoas devem se esmerar no ministério do ensino, ou seja, a ele se dedicarem (Rm. 12.7). Elas devem ensinar não apenas com palavras, mas também com o exemplo (At. 12.25). Paulo é um modelo de mestre na Palavra, um homem que não se esquivou de ensinar os decretos de Deus (At. 20.20). Não por ocaso conclamava seus ouvintes e leitores a serem seus imitadores (I Co. 4.15; 11.1; Fp. 3.17). Mas o maior Ensinador foi o próprio Jesus, reconhecido como Mestre da parte de Deus (Jo. 3.2). Aqueles que O ouviam ficavam pasmos diante dos seus ensinamentos, com a autoridade com a qual falava (Mt. 7.28,29). As pessoas se dirigiam a Ele com o título de Rabi, mestre (Mt. 26.15,49; Mc. 9.5; 11.21; Jo. 1.38,49; 4.31; 9.2; 11.8). Jesus mesmo se reconhecia como tal (Mt. 23.8; Jo. 13.13). Seu ensino era eficaz, por isso muitos se maravilhavam (Jo. 7.46), também dos seus feitos, associados ao ensino (At. 1.1,2). Seus ensinamentos partiam de temas simples do cotidiano, recorria com frequências às parábolas (Mt. 22.1); indagações (Mt. 22.46), discursos (Mt. 5-7), citações (Mt. 5.18; 22.41-45; Lc. 24.27) e símbolos (Jo. 13.4-7; Mc. 6.11). Os temas tratados por Jesus em seus ensinamentos eram: Deus (Mt. 22.34-40); Ele mesmo (Jo. 8.42; 8.58; 16.28); o Espírito Santo (Jo. 3.5; 7.38,39; Mt. 12.27,28; 14.16,17); as Escrituras (Mt. 5.18; Mc. 2.1,2; Mt. 7.13; Jo. 17.17); a vida cristã (Jo. 5.24; 6.35; 8.12; 14.6; 11.25; 17.17; Mc. 12.30,31); o Reino de Deus (Lc. 17.17; Mt. 6.10; 4.23); a igreja (Mt. 16.18); e a escatologia (Mt. 12.30,31; Jo. 10.28).

  1. A IMPORTANCIA DO ENSINO SISTEMÁTICO DA BÍBLIA

A igreja cristã não pode fugar da responsabilidade do ensinamento sistemático da Bíblia. Ciente da importância desse ministério, muitas igrejas fundaram universidades e investiram maciçamente na educação. Nesses últimos anos a igreja se distanciou dessa tarefa, e o secularismo ganhou espaço. O ideal seria que as igrejas evangélicas tivessem suas escolas confessionais, a fim de instruírem as crianças, desde cedo, na palavra de Deus, sem desconsiderar a formação enciclopédica, com vistas à formação profissional. Por menor que seja uma igreja local, ela é a principal responsável pela instrução dos seus fiéis na palavra de Deus. Os cultos de instrução (ou doutrina) devem ser valorizados, os pastores precisam separar tempo necessário para a exposição da Palavra de Deus. As escolas dominicais merecem maior atenção, atentado inclusive para seus espaços físicos. O estudo teológico, outrora tratado com preconceito, deve ser estimulado, pois sem uma formação ortodoxa as pessoas tenderão ao liberalismo. A esse respeito, é preciso reconhecer que não existe apenas um liberalismo racionalista – que nega a revelação em prol da razão, mas também o sentimentalista – que nega a revelação em favor da emoção. O movimento pentecostal, desde o princípio, orientou sua liderança para que obtivesse formação bíblica. Os cursos teológicos eram poucos, tendo em vista o contexto distinto, mas havia escolas bíblicas para obreiros e escolas dominicais. Esperava-se pelo menos que os obreiros tivessem o conhecimento das principais doutrinas da Bíblia. Nesses últimos anos, em virtude da descaracterização do movimento evangélico no Brasil, percebemos a necessidade premente de obreiros com fundamentação bíblica. As escolas bíblicas dominicais, os cultos de instrução e estudos bíblicos precisam ser revitalizados nas igrejas locais. Caso contrário, estaremos fadando as gerações futuras à mediocridade, a falta de fundamentos sólidos, a heterodoxia bíblica, que cedo ou tarde os distanciaram do evangelho.

CONCLUSÃO
A criação da escola dos profetas por Samuel, e o estabelecimento dela através de Elias e Eliseu, deve servir de motivação para investimos no ensinamento bíblico-teológico em nossas igrejas. Para tanto, devemos não apenas repassar conteúdos, mas, sobretudo, oportunizar momentos espirituais, nos quais os nossos alunos possam ter uma experiência profunda com o Senhor. Uma igreja que não investe no ensino não está cumprindo a Grande Comissão, que a de fazer discípulos, e instruí-los na Verdade, que é o próprio Cristo.

BIBLIOGRAFIA
DILLARD, R. B. Faith in the face of apostasy: the gospel according to Elijah and Elisha. New Jersey: PR, 1999.

RUSSEL, D. Men of courage: a study of Elijah and Elisha. Oxford: Christian Focus, 2011.

 

Prof. José Roberto A. Barbosa

 

Halloween – Dia das bruxas

Halloween – Dia das bruxas

 

INTRODUÇÃO:

Qual seria a necessidade de um estudo sobre o Halloween se esta é uma festa americana e de alguns países europeus?

Apesar desta festividade não ser muito conhecida pela maioria das pessoas no Brasil, ela vem ganhando um grande espaço em nossa cultura através de escolas primárias, escolas de inglês, TV, clubes, etc.

 

O QUE SÃO AS FESTAS DE HALLOWEEN?

O Halloween acontece nas noites dos dias 31 de outubro que são geralmente celebradas com festas a fantasia, fogueiras e com crianças fantasiadas de monstros, fantasmas, bruxas, etc., saindo de casa em casa pedindo doces (brincadeira de “trick or treat”, “travessuras ou doces”).

Hoje, Halloween é um dia importante para os lojistas americanos. É uma noite em que “as pessoas decentes se tornam exibicionistas ultrajantes”. Sessenta por cento de todas as fantasias são vendidas a adultos.

No dia 31 de outubro, uma de cada quatro pessoas com idades que variam de dezoito a quarenta anos vestem algum tipo de fantasia representando certo personagem.
Para os leitores psíquicos, clarividentes e os que se declaram visionários, este é o dia mais agitado do ano. As editoras que publicam livros que vão desde astrologia até bruxaria registram um aumento colossal nas vendas. Salém, no Estado de Massachusetts, sede da bruxaria norte-americana, celebra na época do Halloween, o “festival da assombração”, para expandir a temporada de verão.

SIMBOLISMO E SUAS ORIGENS:

Definição: “Hallowed” é uma palavra do Inglês antigo que significa “santo”, e “e’en” também de origem inglesa significa “noite”, então o significado é “Noite Santa” ou “All Hallows Eve”, “Noite de Todos os Santos”.

O dia 31 de outubro não é uma escolha por acaso. No calendário celta, este é um dos quatro principais dias de descanso das bruxas, os quatro dias de “meio trimestre”. O primeiro, 2 de fevereiro, conhecido como Dia da Marmota, honrava a Brigite, a deusa pagã da cura. O segundo, um feriado de maio chamado Beltane, era entre os bruxos, o tempo de plantar. Neste dia os druidas executavam ritos mágicos para incentivar o crescimento das plantações. O terceiro, uma festa de colheita em agosto, era comemorado em honra ao deus sol, a divindade brilhante, Lugh. Esses três primeiros dias marcavam a passagem das estações, o tempo de plantar e o tempo de ceifar, bem como o tempo da morte e ressurreição da terra. O último, Samhain, marcava a entrada do inverno. Nesse tempo, os druidas executavam rituais em que um caldeirão simbolizava a abundância da deusa. Dizia-se que era tempo de “estado intermediário”, uma temporada sagrada de superstição e de conjurações de espirito.

Para os druidas, 31 de outubro era a noite em que Samhain voltava com os espíritos dos mortos. Eles precisavam ser apaziguados ou agradados; caso contrário, os vivos seriam ludibriados. Acendiam-se enormes fogueiras nos topos das colinas para afugentar os espíritos maus e aplacar os poderes sobrenaturais que controlavam os processos da natureza. Recentemente alguns imigrantes europeus, de um modo especial os irlandeses, introduziram o Halloween nos Estados Unidos. No final do século passado, seus costumes se haviam tornado populares. Era ocasião de infligir danos às propriedades, e consentir que se praticassem atos diabólicos não tolerados noutras épocas do ano.

A Igreja Católica celebrava originalmente o “Dia de Todos os Santos” no mês de maio e não dia 1 de novembro como é feito atualmente. O Papa Gregorio III, em 835, tentando apaziguar a situação nos territórios pagãos recém conquistados no noroeste da Europa, permitiu-lhes combinar o antigo ritual do “Dia de Samhain” ou “Vigília de Samhain” (algo parecido com o que os católicos fizeram no Brasil com os deuses africanos e os santos da igreja no tempo da escravidão). O Panteão de Roma, templo edificado para adoração de uma multiplicidade de deuses, foi transformado em igreja. Os cristãos celebravam ali o dia dos santos falecidos no dia posterior ao que os pagãos celebravam o dia de seu Senhor dos Mortos.

DRUIDAS

Estes eram membros de um culto sacerdotal entre os celtas na antiga França, Inglaterra e Irlanda que adoravam deuses semelhantes aos dos gregos e romanos, mas com nomes diferentes. Pouco se sabe sobre eles, pois os sacerdotes passavam seus ensinamentos apenas oralmente jurando e fazendo jurar segredo. Algumas práticas, porém, são conhecidas. Eles moravam nas florestas e cavernas, e diziam dar instruções, fazer justiça e prever o futuro através de voo de pássaros, do fogo, do fígado e outras entranhas de animais sacrificados. Os druidas também ofereciam sacrifícios humanos e tinham como sagrados a lua, a “meia-noite”, o gato, o carvalho, etc. Os druidas foram dizimados pelos romanos na França e Inglaterra antes do final do primeiro século, mas continuaram ativos na Irlanda até o quarto século.

BRUXAS E FANTASMAS

Os antigos druidas acreditavam que em uma certa noite (31 de outubro), bruxas, fantasmas, espíritos, fadas, e duendes saiam para prejudicar as pessoas.

LUA CHEIA, GATOS E MORCEGOS

Acreditava-se que a lua cheia marcava a época de praticar certos rituais ocultos. O gato estava associado as bruxas por superstição. Acreditava-se que as bruxas podiam transferir seus espíritos para gatos, então acreditava-se que toda bruxa tinha um gato. O gato era tido como “um espírito familiar” e muitos eram mortos quando se suspeitava ser uma bruxa.

Os druidas também tinham os gatos como animais sagrados, acreditando terem eles sido seres humanos transformados em gatos como punição por algum tipo de perversidade. Representavam, portanto, seres humanos encarnados, espíritos malvados, ou os “espíritos familiares” das bruxas. A cor do gato originalmente não era um fator importante. O morcego, por sua habilidade de perseguir sua presa no escuro, adquiriu a reputação de possuir forças ocultas. O mamífero voador também possuía as características de pássaro (para o ocultismo, símbolo da alma) e de demônio (por ser noturno). No período medieval acreditava-se que demônios se transformavam em morcegos.

CABEÇAS DE ABÓBORA (“JACK-O-LANTERNS”)

A lanterna feita com uma abóbora recortada em forma de “careta”, veio da lenda de um homem notório chamado Jack, a quem foi negada a entrada no céu, por sua maldade, e no inferno, por pregar peças no diabo. Condenado a perambular pela terra como espirito até o dia do juízo final, Jack colocou uma brasa brilhante num grande nabo oco, para iluminar-lhe o caminho através da noite. Este talismã (que virou abóbora) simbolizava uma alma condenada.

“TRAVESSURAS OU DOCES – “TRICK OR TREAT”

Acreditava-se na cultura celta que para se apaziguar espíritos malignos, era necessário deixar comida para eles. Esta prática foi transformada com o tempo e os mendigos passaram a pedir comida em troca de orações por quaisquer membros mortos da família. Também neste contexto, havia na Irlanda a tradição, que um homem conduzia uma procissão para angariar oferendas de agricultores, a fim de que suas colheitas não fossem amaldiçoadas por demônios. Uma espécie de chantagem, que daí deu origem ao “travessuras ou doces” “Trick or Treat”.

AS MÁSCARAS E FANTASIAS

As máscaras têm sido um meio de supersticiosamente afastar espíritos maus ou mudar a personalidade do usuário e também de comunicação com o mundo dos espíritos. Acreditava-se enganar e assustar os espíritos malignos, quando vestidos com máscaras. Também em outras culturas pessoas tem usado máscaras para assustar demônios que acreditavam trazer desastres como epidemias, secas, etc. Grupos envolvidos com magia negra e bruxaria também usam máscaras para “criar uma ligação” com o mundo dos espíritos.

AS FOGUEIRAS

A palavra inglesa para fogueira (de acampamento, festas, etc.) é “Bonfire”. Alguém pode até pensar que quer dizer “fogo bom”, mas na verdade vem de “Bone” (osso) + “Fire” (fogo). Nas celebrações da “Vigília de Samhain” nos dias 31 de outubro, os druidas acreditavam poder ver boas coisas e mal agouros do futuro através do fogo. Nestas ocasiões, os druidas construíam grandes fogueiras com cestas de diversos formatos e queimavam vivos prisioneiros de guerra, criminosos e animais. Observando a posição dos corpos em chama, eles diziam ver o futuro. Mais tarde, mulheres, crianças, filósofos e cientistas foram “assados” vivos por católicos, calvinistas e luteranos.

AS CORES LARANJA E PRETA

As cores usadas no Halloween, o laranja e o preto, também tem sua origem no oculto. Elas estiveram ligadas a missas comemorativas em favor dos mortos, celebradas em novembro. As velas de cera de abelha tinham cor alaranjada, e os esquifes eram cobertos com tecidos pretos.

FEITIÇARIA NO PASSADO

Não só os católicos durante as atrocidades da Santa Inquisição, mas também os seguidores de Lutero, durante a selvagem perseguição aos anabatistas, e os calvinistas em sua feroz intolerância, promoveram barbaridades e injustiças com a desculpa de estarem em “Guerra Santa”.

Acreditava-se que mulheres com poderes de feitiçaria podiam lançar aos seus vizinhos toda espécie de sorte maléficas, como morte de gado, perda de colheita, morte de filhos, etc. Segundo a tradição, o poder mais pernicioso de tais bruxas era tornar seus maridos cegos a respeito da má conduta de suas esposas e de fazer com que as chamadas feiticeiras gerassem filhos idiotas ou aleijados. Como a caracterização de bruxas era a de velhas megeras desdentadas com hábitos excêntricos e língua venenosa, muitas mulheres com tais características foram mortas em Salem, nos EUA em 1692.
Vejam só a barbaridade: ter um filho com alguma deficiência já caracterizava a mãe como bruxa ou feiticeira. Na Europa, a figura de feiticeira era a de “uma moça linda e perversa”, e grande número de adolescentes e jovens mulheres casadas foram mortas na Alemanha e França.

As primeiras perseguições ocorreram no séc. XIII e depois em 1484 com a Santa Inquisição. O papa Inocêncio II recomendava que seus inquisidores torturassem até obter provas. Durante a Revolução Protestante essa caça assumiu proporções absurdas. Lutero aconselhava que se matasse feiticeiras com menos consideração e misericórdia do que se tinha com criminosos comuns.

Sob o comando de Calvino em 1545, 34 mulheres foram queimadas ou esquartejadas (vivas) sob acusação de serem ou praticarem feitiçaria. Mulheres, moças e até crianças eram torturadas com agulhas enfiadas sob suas unhas, assando-se os pés em fogueiras ou esmagando-se as pernas sob grandes pesos “até que a medula espirrasse dos ossos”, tudo isso para obriga-las a confessar “orgias repelentes com os demônios”. O ápice desta histeria ocorreu no final do séc. XVI onde o número de vítimas pode ter chegado a 30 mil. Durante essa época em cidades alemãs mais de 900 mulheres foram mortas num só ano, não restando uma só mulher em algumas cidades. Até pessoas celebrizadas por nós defendiam que pessoas fossem mortas sob simples suspeita de feitiçaria.

O HALLOWEEN HOJE

O Halloween tem outros aspectos negativos além de sua herança pagã arraigada na bruxaria e sua ênfase sobre o diabo e as trevas. Alguns vândalos estão mais interessados em brincadeiras de mau gosto do que em festas. Há vários casos de criminosos e loucos distribuindo balas envenenadas ou guloseimas contendo agulhas ou lâminas. Outro perigo é o de que os motoristas não vêem as crianças com trajes típicos de cores escuras andando em ruas escuras. Todavia, tais associações com o mal não indicam que os pais que permitem celebrações do Halloween estejam colaborando com o diabo. Mas seria difícil você pensar numa virtude positiva nos festejos do Halloween. Seu simbolismo envolve demônios, fantasmas, morte, trevas, esqueletos, medo e terror.

O QUE A BÍBLIA DIZ:

Sobre o culto ao medo: II Tim.1:7

Sobre um dia especial do mal: Salmos 118:24

O que Deus pensa dessa práticas e seus praticantes: Deut.18:9-14; Isa. 8:19; Lev. 19:26, 31; 20:6-8; 20:27;

Sobre as chantagens da esmola: Salmos 37:25 No Novo Testamento: Gal. 5:19-21; Apoc. 21:8; 22:15 Nossa resposta: Rom. 12:2; I João 4:4; Efés. 6:12; I Pedro 5:8-9; II Cor. 2:11

REFLETINDO
Existe algo de ruim nisto? Quer dizer que está simples festividade com pessoas e crianças se fantasiando, pedindo doces é um remanescente de antigas práticas de magia negra, culto aos mortos e outras coisas sinistras?

 TIRE SUAS PRÓPRIAS CONCLUSÕES

Nos Estados Unidos foram proibidas as orações públicas. O princípio do sectarismo tirou das escolas a celebração do Natal. Mas o Halloween permanece. O abrigo de gatos de Chicago tem uma procura muito grande de gatos pretos durante os festejos de Halloween. Temendo que os gatos estivessem sendo usados em rituais macabros pelos que se autoproclamam bruxos, a Sociedade Protetora de Animais excluiu a adoção durante essa temporada.

No Brasil e no mundo estão aparecendo pessoas se autointitulados bruxos. Simbolismo apenas? Pense em alguns símbolos e analise-os. Há algum significado? Há alguma importância? Há alguma influência? Exemplo: cabeça de abóbora, suástica, crânio com ossos cruzados, a cruz… Deve uma igreja acolher tais festividades? Deve um crente participar de tais festividades? Hoje, mais e mais casos de sacrifícios humanos ocorrem no mundo ocidental justamente nesta época. Até os pais da Reforma Protestante cometeram absurdos de injustiça nesta área. Não estaríamos nós celebrando a injustiça que tanto desagrada a Deus? (Isaías 6.7-8). O assunto não é algo de extrema importância. É simplesmente algo que devemos nos colocar a par para um Posicionamento ético quando alguém nos perguntar sobre a questão.

Este estudo não é para dar mais “Ibope” ao diabo. Crentes não devem temer o Halloween. Dia 31 de outubro continua sendo um dia que o Senhor Deus criou. Não há espaço aqui para extremismo e nem para fobias. Exemplo de extremismo característicos do povo Cristão: A primeira edição de “A Origem das espécies” de Darwin, foi praticamente esgotada pela corrida dos crentes para comprar o “livro herege”… nós financiamos a segunda edição do livro e, provavelmente, a popularidade da teoria. Há uns 5 anos atrás várias pessoas faziam palestras sobre a Nova Era e as igrejas estavam super alertas para a simbologia e embaixadores desse movimento. Isso gerou uma verdadeira “paranoia”, ao ponto de acusarem a Junta de Missões de “Nova Era”, por trazer o desenho de um arco-íris, um dos supostos símbolos, em um de seus cartazes.

BIBLIOGRAFIA:

BURNS, E. M., Western Civilizations, Their History and Their Culture, W. W. Norton & Co. Inc., New York, 1968.

ANKERBERG, J., Weldon, J., The Facts on Halloween: What Christians Need to Know. Harvest House, Oregon, 1996.

PHILLIPS, P., Robie, J., H., Halloween and Satanism. Starburst, 1987.

HURT, R., The History of Halloween and the Word of God, not published (?).

MARGADONNA, S., Halloween Oct. 31: What’s It All About?, not published (?).

PHILLIPS G., Halloween: What It Is From a Christian Perspective, not published, Bay View Church, Alabama: URL: http://www.webzonecom.com/ccn/cults/issu37.txt [Sept. 1997]

 

12 Tribos de Israel

12 Tribos de Israel

 

12 TRIBOS DE ISRAEL

Os nomes das tribos são:

Rúben, Simeão, Judá, Zebulom, Issacar, Dã, Gade, Aser,Naftali, Benjamim, Manassés e Efraim.

 

TRIBO DE RÚBEN

Rúben (português europeu) ou Rubem (português brasileiro) (em hebraico: רְאוּבֵן, hebraico moderno Rəʾuven hebraico tiberiano Rəʾûḇēn) era o primogênito dos 12 filhos de Jacó, neto de Isaac. Sua mãe era a esposa menos favorecida de Jacó, Léia, que chamou o menino de Rubem porque, segundo ela mesma disse, “Jeová tem olhado para a minha miséria, sendo que agora meu esposo começará a amar-me”. (Gên 29:30-32; 35:23; 46:8; Êx 1:1, 2; 1Cr 2:1).

Em resultado do contínuo favor que Jeová mostrou a sua mãe, Rubem e seus cinco irmãos germanos (Simeão, Levi, Judá, Issacar e Zebulão) constituíram metade dos cabeças tribais originais de Israel; os outros seis (José, Benjamim, Dã, Naftali, Gade e Aser) eram meios-irmãos de Rubem. — Gên 35:23-26.

Algumas das boas qualidades de Rubem revelaram-se quando persuadiu seus nove irmãos a lançar José num poço seco, em vez de matá-lo, sendo o objetivo de Rubem retornar em secreto e tirá-lo do poço. (Gên 37:18-30) Mais de 20 anos depois, quando estes mesmos irmãos arrazoaram que as acusações de espionagem levantadas contra eles, no Egito, se deviam a terem maltratado José, Rubem lembrou aos demais que ele não tinha participado no complô contra a vida de José. (Gên 42:9-14, 21, 22) Também, quando Jacó se recusou a permitir que Benjamim acompanhasse seus irmãos na segunda viagem ao Egito, foi Rubem quem ofereceu os seus próprios dois filhos como garantia, dizendo: “Podem ser mortos por ti se [eu] não to trouxer [isto é, Benjamim] de volta.” — Gên 42:37.

Perda da primogenitura

Como primogênito de Jacó, Rubem gozava naturalmente dos direitos do filho primogênito da família. Como tal, tinha direito de receber duas parcelas dos bens deixados por Jacó, seu pai. A questão, pouco antes da morte de Jacó, quando ele abençoou seus filhos, era: entraria Rubem no gozo desses direitos de primogênito?

Também, o patriarca Jacó, como cabeça da família, havia atuado como sacerdote de Jeová para toda a família e oferecido sacrifícios no altar familiar, bem como tinha liderado em orar e dar instrução religiosa. Como pai, agira também como o governador de toda a família e de todos os seus servos, gado e propriedades. Seriam essas responsabilidades repassadas a Rubem? As respostas encontramos em Gên 49:3-4

“Rubem, tu és meu primogênito, minha força e o princípio de meu vigor, o mais excelente em alteza e o mais excelente em poder. Impetuoso como a água, não serás o mais excelente, porquanto subiste ao leito de teu pai. Então o contaminaste; subiu à minha cama.”

Rubem deveria ter recebido a bênção mais importante porque ele era o primogênito. Porém ele contaminou o leito de seu pai quando ele “dormiu com Bila, concubina de seu pai” (Gên 35:22). Por isso, ele perdeu os direitos de primogênito e sua descendência tornou-se um povo pastor de ovelhas, habitando a leste do Rio Jordão (Nm 32:1)

 

TRIBO DE SIMEÃO

Simeão (em hebraico שִׁמְעוֹן, transl. Shim’on, nascido em c. 1772 a.C. ), era o segundo filho de Jacob e Lia (Gen. 29;33), sua significação e citada em (Gen. 29;33). Simeão tomou parte, juntamente com Levi, do massacre dos homens de Síquem, depois da desonra sofrida por sua irmã, Diná (Gen. 34)

 

TRIBO DE LEVI

Na tradição judaica, um levita (em hebraico: לֵוִי, hebraico moderno: Levi, hebraico tiberiano: Lēwî; “unido”) é um membro da tribo hebraica de Levi. Quando Josué conduziu os israelitas na terra de Canaã, os levitas foram a única tribo israelita que recebeu cidades, mas não foram autorizados a ser proprietários de terra “porque o Senhor Deus de Israel é sua herança” (Deuteronômio 18:2). A Tribo de Levi servia deveres religiosos particulares para os israelitas e tiveram responsabilidades políticas também. Em troca, as tribos das terras eram esperadas a dar o dízimo para os Levitas, especialmente o dízimo conhecido como o Maaser Rishon ou Dízimo dos Levitas. Na prática judaica atual, que data da destruição do Templo em Jerusalém, os privilégios e responsabilidades comuns dos levitas são essencialmente limitados à leitura da Torá na sinagoga e o ritual de pidyon haben.

Moisés e seu irmão Arão, foram ambos levitas. Descendentes notáveis da dinastia levita, de acordo com a Bíblia, incluem Miriam, Samuel, Ezequiel, Esdras, Malaquias, João Batista, o Marcos o Evangelista, Mateus o Evangelista e Barnabé. Os descendentes de Arão, que foi o primeiro kohen gadol, sumo sacerdote, de Israel, foram designados como a classe sacerdotal, os kohanim. Como tal, os kohanim compreendem uma dinastia familiar (embora as pessoas que afirmam ser kohanim tem muitos haplogrupos) dentro da tribo de Levi, e assim todos os kohanim são tradicionalmente considerados levitas, mas nem todos os levitas são kohanim.

Aos que crêem nas Escrituras, é inegável que Levi tenha sido uma tribo como as outras, separada porém por Deus para exercer o sacerdócio. Entretanto, a situação da tribo no momento em que o Pentateuco teria sido escrito, bem como sua posição na sociedade judaica após o exílio na Babilônia geram discussão entre estudiosos.

Alguns acreditam que Levi tenha sido uma das tribos que teria fugido do Egito, e ao chegar a Canaã teriam se aliado a outras tribos hebraicas autóctones, e, após a organização destas tribos e sua fusão em uma só nação, os levitas teriam sido designados ao sacerdócio.

Outra corrente acredita que os levitas teriam sido uma casta à parte do sistema tribal existente, uma elite com poderes políticos originados de sua relação de exclusividade com Deus. Essa não era uma postura incomum no Oriente Médio antigo ou em outras regiões, e observava-se a existência de classes sacerdotais rígidas na Mesopotâmia e na Índia fundamentadas no direito exclusivo destas classes em interferir junto a Deus pela ordem de suas sociedades.

 

TRIBO DE JUDÁ

Segundo teólogos e alguns historiadores, por volta do século XV a.C. ocorreu o Êxodo dos hebreus do Egipto para a terra de Canaã. A narração do livro do Êxodo descreve esta época, e posiciona a tribo de Judá como a mais numerosa de todas as tribos de Israel (desconsiderando-se a tribo de José, tradicionalmente dividida entre as meia-tribos de Efraim e Manassés).

Em Números 1:24-25 contam-se 74600 integrantes desta tribo, refletindo a sua importância no contexto da congregação israelita no seu princípio. Entretanto, este número pode ter sido mascarado pelo fato do relato bíblico acerca do Êxodo ter sido compilado muito tempo depois, talvez já no período final dos Juízes ou na monarquia unificada, quando Judá já era uma entidade de certa forma destacada do restante das tribos de Israel. De toda forma, apesar da discussão sobre se todas as tribos emigraram do Egito ou se eram populações autóctones da Palestina que, em dado momento, invadiram e povoaram a Palestina, é opinião da maioria que Judá, juntamente com Levi, Efraim, Manassés, Benjamim e Simeão, teriam sido as tribos que vieram do Egito.

A conquista de Canaã foi, aparentemente, constituída de invasões independentes de cada uma das tribos a territórios pré-estabelecidos. A Judá coube uma região ao sul, entre o deserto de Negueve e o Sefelá, o maior dos territórios partilhados. Cidades importantes, como Belém, Hebrom, Arade, Bete-Semes, Laquis e Berseba foram incluídas nos seus domínios. A tribo de Simeão, inicialmente posicionada ao sul de Judá, pode ter sido eventualmente absorvida por esta, visto que sua localização (e sua própria identidade) se torna gradativamente mais incerta ao longo do Velho Testamento, mas há hipóteses de que Simeão tenha sido também absorvida por povos vizinhos, especialmente Moabe.

A partir do livro de Rute, os cronistas bíblicos procuram traçar uma genealogia baseada na cidade de Belém, desde Judá até o rei Davi, fazendo com que as palavras de Jacó sobre Judá se tornassem concretas, e sua dinastia se afirmasse como aquela designada por Deus para governar Israel. Profetas posteriores, especialmente durante a primeira diáspora, prediziam que um rei da linhagem de Davi viria para salvar Judá das mãos de seus inimigos. Mais tarde, no Novo Testamento, os cronistas empenham-se em atribuir a Jesus descendência direta da Casa de Davi, mais uma vez corroborando com a bênção de Jacó, uma vez que Jesus, para toda a cristandade, é rei sobre todos os homens.

No entanto, politicamente, Israel já não se identificava com as demais tribos no período relatado nos livros de Samuel. O profeta Samuel, por volta de 1050 a.C., teria ungido Saul, da tribo de Benjamim, como rei de todo Israel. Surpreendentemente, a soberania de Saul se afirmou em todas as tribos de maneira geral, e ele pôde assim empreender guerras contra os Filisteus a oeste. Mas logo alguns eventos associados ao pecado e à ira de Deus fizeram com que Saul perdesse gradativamente o controle sobre esta guerra, e Davi, de Judá, ungido também por Samuel, tomou o poder.

A separação de Judá e Israel ocorre na própria coroação de David, em Hebrom, como rei de Judá, enquanto Isbosete, filho de Saul, era aclamado rei do restante de Israel. Após um período de guerra civil, Davi venceu os partidários da Casa de Saul e foi aclamado como rei por todas as tribos.

O reinado de Judá sobre as outras tribos durou até o final do reinado de Salomão, filho de Davi, em 931 a.C. Neste período, as diferenças políticas entre Judá e Israel acentuaram-se graças às diferenças no montante de tributos destinados a Judá e Israel. Em um período de grandes obras, como as guerras expansionistas de Davi e a construção do Templo de Jerusalém, a carga de impostos deve ter provocado um profundo descontentamento em Israel. A morte de Salomão significou uma oportunidade para uma revolta contra o governo de Jerusalém, liderada por Jeroboão, que proclamou a independência das 10 tribos do norte (Judá e Benjamim permaneceram unidas. Simeão não era mais particularmente mencionada como uma região geográfica, e é possível que fizesse parte das 10 tribos apenas como membros desta tribo dispersos pelas terras do norte). O território correspondente a Judá e Benjamim, ao sul, permaneceu como um reino à parte, liderado por Roboão, filho de Salomão e seus descendentes. Nascia o Reino de Judá.

 

TRIBO DE DÃ

A Tribo de Dã (דָּן “Juiz”, Dan em hebraico standard, Dān em hebraico tiberiano) é uma das Tribos de Israel que segundo a Bíblia e a Torá foi fundada por Dã, filho de Jacó e de Bila, sua concubina (Genesis 30:4). É uma tribo segundo o livro de Números Capitúlo 1, versículo de 38 à 39, tem 62.700 homens com idade para guerra e segundo o livro de Josué capitúlo 19, versículo do 40 ao 48, continha ao todo 17 cidades chamadas Zora, Estaol, Ir-Semes, Saalabim, Aijalom, Itla, Elom, Timma, Ecrom, Elteque, Gibetom, Baalate, Jeúde,Benê-Beraque, Gate-Rimom, Me-Jarcom, Racom e as terras que ficam em frente a cidade de Jope.

O símbolo de Dã é uma serpente, o que a diferencia das outra tribos de Israel. Visto que este animal é considerado um símbolo do mal na tipologia bíblica, é aparentemente estranho que esteja como estandarte em uma tribo hebraica.

Diz antigo adágio popular: A pior cunha é aquela que sai da mesma madeira. Evidentemente a expressão “da mesma madeira” indica uma boa madeira, utilizada para boa construção, e dela é que sai a “pior cunha”.

TRIBO DE NAFTALI

A Tribo de Naftali(נַפְתָּלִי|Naftali|Nap̄tālî|”Minha luta”) foi uma das Tribos de Israel. Naftali ocupava o lado oriental da Galileia (logo ao lado ocidental do Mar da Galileia), nas áreas hoje conhecidas como Baixa Galileia, e Alta Galileia, e fazia fronteira a oeste com a Tribo de Aser, ao norte a Tribo de Dã, no sul Zebulão e o rio Jordão no leste. Sua cidade principal era Hazor. Nessa região, em torno do Mar da Galileia, ficava a altamente fértil planície de Genesaré, caracterizada como a ambição da natureza, um paraíso na Terra, e com a porção sul da região atuando como uma passagem natural entre as terras altas de Canaã, muitas estradas principais (como as de Damasco a Tiro e Acre, passavam por ali. A prosperidade que essa situação trouxe é parecido com o profetizado na Bênção de Moisés, embora a críticos textuais vejam isso como um caso de predição posterior ao acontecimento, datando o poema para logo após de a tribo já ter se estabelecido na terra.

TRIBO DE GADE

A porção atribuída a Gade ficava a leste do Jordão e incluía metade de Gileade, uma região de grande beleza e fertilidade (Dt 3:12), que a este fazia fronteira com o deserto árabe, a oeste com o Jordão (Js 13:27) e a norte com o rio Jaboque. Incluía, assim, todo o vale do Jordão até ao Mar da Galileia, onde, então, estreitava.

Esta tribo era cruel e dada à guerra; eram “varões valentes, homens de guerra para pelejar, armados com rodela e lança; e seus rostos eram como rostos de leões e ligeiros como corças sobre os montes” (1Cr 12:8 e 1Cr 5:19-22). Barzilai (2Sm 17:27) era desta tribo. Foram levados em cativeiro por Tiglath-Pileser III ao mesmo tempo que as outras tribos do Norte (1Cr 5:26) e no tempo de Jeremias (1Cr 49:1), os amonitas habitavam nas suas cidades.

TRIBO DE ASER

A tribo de Gade (ou Gad) era uma das doze tribos de Israel. O sétimo filho que Jacó teve de Zilpa, a serva de Leia e irmão de Aser (Gn 30:11-13 e Gn 46:16,18). Em algumas versões, em Gn 30:11, as palavras: “Vem uma turba e chamou o seu nome Gade” deveriam ser traduzidas por: “Com sorte (“afortunado”) e chamou o seu nome Gade”, ou “Vem a sorte e chamou o seu nome Gade.”

A tribo de Gade, durante a marcha pelo deserto, situava-se, juntamente com Simeão e Rúben, a sul do tabernáculo (Ne 2:14). As tribos de Rúben e Gade, no seguimento da sua história, prosseguiram a actividade dos patriarcas (Ne 32:1,5).

 

Símbolo da Tribo de Gade

Aser (em hebraico: אָשֵׁר, hebraico moderno Ašer, hebraico tiberiano ʾĀšēr), segundo a Bíblia, é o um dos 12 filhos de Jacó, resultado de sua união com Zilpa, criada de Lia. Aser também é o ancestral de uma das 12 Tribos de Israel, de mesmo nome.

O personagem de Aser não possui grande destaque no livro de Gênesis, exceto por ter tomado parte na conspiração junto a seus irmãos que levou José a ser vendido como escravo para uma caravana em direção ao Egito, e também ter estado junto com seus irmãos no momento da reconciliação. Em I Crônicas 7:30-40 é traçada a descendência de Aser e seus filhos Imna, Isvá, Isvi, Berias e Sera.

Aser, junto com seus irmãos, tomou residência na parte leste do delta do rio Nilo, onde sua descendência multiplicou-se e originou a tribo de Aser. Segundo os livros do Pentateuco, Aser seguiu Moisés para a Terra Prometida, embora alguns estudiosos afirmem que Aser já era uma tribo localizada provavelmente na costa sul da Palestina antes do Êxodo, a região que, segundo o livro de Josué, ela teria conquistado quando da tomada de Canaã.

A região original de Aser coincidia com a terra da Filístia. Antes da ascensão do rei David, a terra de Aser já pertencia aos filisteus, de modo que a tribo pode ter continuado a existir apenas como indivíduos ou famílias vivendo em territórios de outras tribos, não mais como uma entidade individual e identificável entre as outras tribos de Israel. Os aseritas teriam se unido a Jeroboão quando este reivindicou para si o trono de Israel, e Aser teria feito parte das 10 tribos do Norte que permaneceram independentes do governo de Jerusalém. A tribo desapareceu definitivamente dos registros quando Samaria foi tomada pela Assíria.

TRIBO DE ISSACAR

Na época da migração para o Egito, enquanto José ainda estava regendo o Egito, são relacionados quatro filhos de Issacar; estes filhos fundaram as quatro principais famílias da tribo (Gn 46:13; Nm 26:23-25; 1 Cr 7:1). o número de homens de guerra, quando o censo foi levantado no Sinai, era de 54.400, e pela ordem era a quinto tribo (Nm 1:28-29); no segundo censo o número tinha aumentado para 64.300 o que a colocou em terceiro (Nm 26:25). No tempo de Davi foram contados 87.000 (1 Cr 7:5).

TRIBO DE ZEBULOM

A Tribo de Zebulom desempenhou um importante papel na história antiga de Israel. No censo das tribos no Deserto do Sinai durante o segundo ano do Êxodo, a tribo de Zebulom contava com 57.400 homens capazes de pegar em armas (Números 1:31). Este exército, sob o comando de Eliabe, filho de Helom, acamparam com os de Judá e de Issacar a leste do Tabernáculo e com eles formaram a linha de frente da marcha (Números 2:3-9). Dentre os espiões enviados por Moisés para avistarem a terra de Canaã, Gadiel, filho de Sodi representou Zebulom (Números 13:10).

Em Shittim, nas terras dos moabitas, depois que 24.000 homens foram mortos por seus crimes, um segundo censo foi realizado; Zabulom contava com 60.500 homens prontos para a luta (Números 26:27). Elizafã, filho de Parna foi escolhido para representar Zebulom na divisão da Terra Prometida (Números 34:25).

A tribo parece ter conquistado facilmente a sua porção. Durante o governo de Josué ela não recebe nenhuma menção especial. Enquanto que no governo dos juízes, as suas façanhas foram dígnas de nota. No Cântico de Débora, a tribo foi especialmente citada como tendo “oferecido suas vidas para morrer na região de Merom”, (Juízes 5:18); e louvados porquê de “Zebulom vieram os comandantes do exército para a luta” (Juízes 5:14).
Na campanha de Baraque contra Sísera, o comandante das forças de Jabim, Rei de Canaã, participam também os filhos de Zebulom (Juízes 4:10). Eles são convocados por Gideão e se juntam no combate aos midianitas (Juízes 6:35); e deu a Israel Elom, que a julgou por dez anos (Juízes 12:11). Dentre aqueles que seguiram David até Hebrom para fazê-lo rei, estavam 50.000 homens de Zebulom providos com todas as armas de guerra com ânimo resoluto (I Crônicas 12:33), que trouxeram com eles, como sinal de sua fidelidade, grande quantidade de provisões de carnes e bebidas para comemorarem a ascensão de seu novo governante (I Crônicas 12:41). Quando Ezequias fez a reparação pelas abominações de seu pai Acaz, ele convidou toda Israel para celebrarem o Pessach na casa do Senhor. Porém, os emissários receberam risos e zombarias por onde passaram; alguns de Zebulom se humilharam e foram a Jerusalém, destruíram os ídolos, e celebraram a festa dos pães ázimos (II Crônicas 30:10-23).

TRIBO DE JOSÉ

A Tribo de José foi uma das tribos de Israel, embora desde Efraim e Manassés juntos tradicionalmente constituíam a tribo de José, que era muitas vezes não é listado como uma das tribos, em favor de Efraim e Manassés a ser listado em seu lugar; consequentemente, foi muitas vezes chamado de “Casa de José”, para evitar o uso do termo tribo. De acordo com o Targum Pseudo-Jonatha , o estandarte da tribo de José, e a tribo de Benjamim, foi a figura de um menino, com a inscrição: a nuvem do Senhor repousava sobre eles, até que saíram do campo ( uma referência para eventos em Êxodo ). Havia óbvias diferenças linguísticas entre pelo menos uma porção de José e as outras tribos israelitas, já que no momento em que Efraim estavam em guerra com os israelitas da Gileade, sob a liderança de Jefté, a pronúncia de shibboleth como sibboleth foi considerado evidência suficiente para destacar indivíduos de Efraim, para que pudessem ser submetido a morte imediata pelos israelitas da Gileade.
No seu auge, o território de José atravessou o Rio Jordão, a porção oriental sendo quase inteiramente adjacentes a partir da porção ocidental, a nordeste da porção oeste e sul ao oeste da porção oriental. A porção ocidental foi no centro de Canaã, a oeste do Jordão, entre os Tribo de Issacar, ao norte, e Tribo de Benjamim, ao sul, a região que mais tarde foi chamado Samaria (para distinguir da Judéia ou Galiléia) consistia principalmente de a porção ocidental do José. A porção oriental de José foi o grupo israelita ao norte, a leste do Jordão, ocupando o Norte terra do tribo de Gade, que se estende do Maanaim, no sul do Monte Hermon, no norte, e incluindo nele a toda a Basã. Esses territórios eram abundantes em água, um bem precioso em Canaã, e as porções montanhosas não só proteção, mas passou a ser altamente férteis; primeiros centros de religião israelita – Siquém e Shiloh – foram adicionalmente situados na região.  O território de José foi, assim, uma das peças mais valiosas do país, e da Casa de José se tornou o grupo mais dominante no Reino de Israel.

TRIBO DE MANASSÉS

A Tribo de Manassés (em hebraico: מְנַשֶּׁה, hebraico moderno Mənašše, hebraico tiberiano Mənaššeh, de נשני, naššānî, “feito para esquecer”) foi uma das Tribos de Israel; juntamente com a Tribo de Efraim, Manassés formou também a Casa de José. No seu apogeu, seu território se espalhava ao longo do rio Jordão, formando duas metades, uma em cada lado do rio.

metade ocidental da tribo ocupou as terras imediatamente a norte de Efraim, no centro-oeste de Canaã, entre o rio Jordão e a costa do Mar Mediterrâneo, fazendo limite ao norte com a Tribo de Issacar, a noroeste com o Monte Carmelo; a metade oriental da tribo constituía a parte mais ao norte da tribo, a leste do rio Jordão, ocupando as terras ao norte da Tribo de Gade, estendendo-se desde Maanaim ao sul até o Monte Hermon, ao norte, e incluindo todo o do planalto de Basã. Esses territórios eram abundantes em água, uma preciosidade em Canaã, e por isso, constituía uma das mais valiosas partes do país; apesar disso, a posição geográfica de Manassés impossibilitava-a de defender duas importantes passagens nas montanhas – Esdraelon, localizada a oeste do rio Jordão e Hauran, a leste.

 

TRIBO DE EFRAIM

A Tribo de Efraim (em hebraico: אֶפְרַיִם ou אֶפְרָיִם, transl. EfráyimʾEp̄ráyim ou ʾEp̄rāyim, “dupla fecundida”) foi uma das Tribos de Israel. Juntamente com a Tribo de Manassés, formou a Casa de José. Em seu auge, o território ocupado pela tribo estava no centro de Canaã, a oeste da atual Jordânia, a sul do território de Manassés, e a norte da Tribo de Benjamim; a região que foi chamada posteriormente de Samária (para distingui-la da Judéia e da Galiléia) consistia em sua maior parte do território da Tribo de Efraim. A área era montanhosa, o que lhe dava proteção, porém também era extremamente fértil, o que lhe trouxe prosperidade, e continha os centros mais antigos da religião israelita -Shechem e Shiloh. Estes fatores contribuíram para fazer de Efraim a mais dominante das tribos do Reino de Israel, e levou o nome Efraim a se tornar um sinônimo de todo o reino.

Havia uma evidente diferença linguística entre a Tribo de Efraim e os outros israelitas, já que quando os israelitas de Gileade, sob a liderança deJefté, lutaram contra a Tribo de Efraim, a pronúncia da palavra shibboleth como sibboleth era considerada uma prova suficiente para identificar indivíduos pertencentes à tribo, para que fossem condenados instantaneamente à morte.

 

TRIBO DE BENJAMIM

A tribo de Benjamim (em hebraico, בִּנְיָמִין, transl. Binyāmîn) era uma das doze tribos de Israel. Recebeu o nome do filho mais novo de Jacó (Israel) e Raquel. Os membros dessa tribo eram chamados benjamitas.

Quando da divisão de Canaã, a tribo de Benjamim ficou com o território compreendido entre Efraim, ao norte, e Judá, ao sul. Embora fosse um território pequeno e montanhoso, era fértil e incluía cidades importantes como Jerusalém, Jericó, Betel, Gibeá e Mispá, entre outras.

Um benjamita importante foi Eúde, o segundo juiz referido no Livro de Juízes. Saul, o primeiro rei de Israel oficialmente reconhecido como tal, era benjamita, filho de Quis. A partir daí, a linhagem real passou a ser da tribo de Judá.

Após a morte de Saul, todas as tribos, com exceção de Judá, permaneceram fiéis à casa de Saul, mas, depois da morte de Isboset, filho de Saul e seu sucessor no trono de Israel, a tribo de Benjamim juntou-se às tribos israelitas do norte, dispostas em fazer de Davi, que era rei de Judá, soberano do reino de Israel reunificado. No entanto, com a ascensão de Roboão, neto de Davi, em 930 a.C., as tribos do norte se separaram da Casa de Davi para recriar o Reino de Israel como o Reino do Norte. Contudo, dessa vez a tribo de Benjamim permaneceu fiel à Casa de Davi, continuando a fazer parte do Reino de Judá, até que, em 586 a.C, Judá foi conquistado pelos babilônios, e a sua população foi deportada.Com o crescimento da ameaça das incursões filisteias, as tribos isreaelitas decidiram formar uma monarquia forte e centralizadora para enfrentar o iminente conflito. O primeiro rei dessa nova entidade foi Saul, que era da tribo de Benjamin, que, naquele momento, era a menor das tribos. Ele reinou por 38 anos, em Gibeá [3] que parece ter sido sua terra natal.

Quando os judeus retornaram do exílio da Babilônia, as afiliações tribais que ainda permaneciam foram abandonadas, provavelmente por causa da impossibilidade de se restabelecerem as antigas possesões tribais de terras. No entanto, as regras e leis religiosas, decretadas por Levitas e Kohanim foram preservadas, e a população em geral foi chamada de Israel. Essas designações ainda são seguidas hoje.

 

 

 

 

A Maldição da Cruz

A Maldição da Cruz

Gálatas 3:13  Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós, porque esta está escrito: maldito todo aquele que for pendurado no madeiro. É claro que no contexto hebreu do antigo testamento muito provavelmente era usado o madeiro puro não necessariamente era em forma de cruz.

A cruz também era um terrível instrumento de tortura é sofrimento muito usado pelos Romanos Sírios, Fenícios e celtas, e em épocas e povos diferentes.

Mas porque Jesus morreu logo em uma cruz? Sendo que existia inúmeros e vários outros instrumentos de torturas e morte. Simples a cruz era o pior e mais terrível e maldito instrumento de tortura e ainda além de torturar o corpo ela acabava com a moral e reputação do condenado era maldito de Deus o pior dos homens, é o que a bíblia chama de a ignominia da cruz, vergonha desprezo, como se não bastasse, a história diz que os romanos para envergonhar ainda mais a vítima de crucificação eles primeiro despiam-na, tem um hino que cita a vergonha da cruz e é essa vergonha que chamamos de  a maldição da cruz. Fora todos os pecados da humanidade que Cristo levou sobre a cruz ela também significa todos eles, pois a cruz não foi feita pra cristo, Jesus não a merecia ela foi feita para o assassino e revolucionário Barrabas, aquela cruz era minha era sua, mas jesus nos libertou nela.  E importante salientar também que a cruz foi um divisor de águas nela satanás foi vencido nela Jesus nos libertou da morte e venceu a morte pois a morte não tinha poder algum sobre Jesus, pois o aguilhão da morte é o pecado e Jesus nunca pecou.

Lembremos também que a cruz foi cravada no monte caveira e a cruz era em forma de espada que foi cravada naquele monte, nos remete ao verbo que se fez carne a espada que simboliza a palavra o verbo a vida de Deus derrotando e cravando no crânio representando a vitória completa na cruz, nela cristo triunfou a obra foi consumada por completo ele tinha ali salvado toda a humanidade. De fato, ela hoje representa sim um símbolo cristão também.

 Existia uma maldição na cultura judaica que todos os crucificados eram malditos de Deus. No antigo testamento vemos isso claramente em deuteronômio 21:22 – 23. Na época de Cristo existia quatro principais tipos de cruz. Cristo sem pecado algum se fez maldito em nosso lugar levando sobre ele as nossas culpas delitos e pecados.
A cruz de Santo Antonio, em forma de  T conhecida  como tau que é uma  letra grega, cruz de santo André em forma de  X, e a cruz latina ou cruz cristã , conhecida como a cruz de Cristo.

Por Guss de Lucca

A Mulher do fluxo de sangue

Foto mulherA MULHER DO FLUXO DE SANGUE

Ela considerou em seu coração que bastava tocar na orla das vestes de Jesus que seria curada, porém, como aproximar-se de Jesus sem contaminar a multidão? E o que faria a multidão se descobrisse que uma mulher imunda havia saído no meio do povo, e deliberadamente tocou e se esbarrou em todos? “Ou, quando tocar a imundícia de um homem, seja qualquer que for a sua imundícia, com que se faça imundo, e lhe for oculto, e o souber depois, será culpado” ( Lv 5:3 ).
“E foi com ele, e seguia-o uma grande multidão, que o apertava. E certa mulher que, havia doze anos, tinha um fluxo de sangue, e que havia padecido muito com muitos médicos, e despendido tudo quanto tinha, nada lhe aproveitando isso, antes indo a pior; Ouvindo falar de Jesus, veio por detrás, entre a multidão, e tocou na sua veste. Porque dizia: – Se tão-somente tocar nas suas vestes, sararei. E logo se lhe secou a fonte do seu sangue; e sentiu no seu corpo estar já curada daquele mal. E logo Jesus, conhecendo que a virtude de si mesmo saíra, voltou-se para a multidão, e disse: Quem tocou nas minhas vestes? E disseram-lhe os seus discípulos: Vês que a multidão te aperta, e dizes: Quem me tocou? E ele olhava em redor, para ver a que isto fizera. Então a mulher, que sabia o que lhe tinha acontecido, temendo e tremendo, aproximou-se, e prostrou-se diante dele, e disse-lhe toda a verdade. E ele lhe disse: Filha, a tua fé te salvou; vai em paz, e sê curada deste teu mal” ( Mc 5:24 -34)
O que há de tão importante no milagre da mulher com um fluxo de sangue que levou três evangelistas a narrarem o milagre? No que implicava uma mulher sofrer hemorragia constante Aquela época? Como dimensionar a fé em Cristo daquela mulher?
Em primeiro lugar é essencial deixar registrado que os milagres narrados pelos apóstolos têm a função precípua de levar os homens a crerem que Cristo é o Filho de Deus “Jesus, pois, operou também em presença de seus discípulos muitos outros sinais, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” ( Jo 20:30 -31).
Marcos e Lucas registraram que a mulher já havia gasto todos os seus bens com médicos, porém, não puderam curá-la ( Mc 5:26 ; Lc 8:43 ).
Já os evangelistas Mateus e Marcos destacam que uma mulher sofria de hemorragia há doze anos e, ao ouvir falar de Jesus, passou a acreditar que, se somente tocasse em suas vestes haveria de ser curada “Porque dizia consigo: Se eu tão-somente tocar a sua roupa, ficarei sã” ( Mt 9:21 ).
Porém, havia um entrave: A mulher por ter um fluxo de sangue, pela lei de Moisés era considerada imunda “Também a mulher, quando tiver o fluxo do seu sangue, por muitos dias fora do tempo da sua separação, ou quando tiver fluxo de sangue por mais tempo do que a sua separação, todos os dias do fluxo da sua imundícia será imunda, como nos dias da sua separação” ( Lv 15:25 ).
Ela considerou em seu coração que bastava tocar na orla das vestes de Jesus que seria curada, porém, como aproximar-se de Jesus sem contaminar a multidão? E o que faria a multidão se descobrisse que uma mulher imunda havia saído no meio do povo, e deliberadamente tocado esbarrando-se em todos? “Ou, quando tocar a imundícia de um homem, seja qualquer que for a sua imundícia, com que se faça imundo, e lhe for oculto, e o souber depois, será culpado” ( Lv 5:3 ).
Como sair de casa, se os vizinhos que recriminavam aquela condição por causa da lei, poderiam vê-la no meio da multidão? O que fariam os religiosos se a descobrissem?
Além do sofrimento físico e da desesperança, a mulher do fluxo de sangue não podia participar das festas religiosas, não podia ficar fora do templo junto com as outras mulheres e nem ir a sinagoga ( Lv 15:25 -33). Ela devia permanecer confinada e isolada, pois não podia relacionar-se com as pessoas, nem mesmo com os seus familiares. Tudo o que ela tocava tornava-se imundo!
Embora ciente dos riscos de ser pega, a mulher entrou no meio da multidão e, ao chegar por trás, tocou na orla das vestes de Cristo e, imediatamente, ficou sã. Foi quando Jesus perguntou: “Quem é que me tocou?” ( Lc 8:45 ).
Como deve ter ficado apreensiva a mulher quando foi descoberto o seu ato de tocar nas vestes de Cristo! – Será que Jesus vai me recriminar por ter saído em meio a multidão sendo imunda? O que dirão os seus discípulos e a multidão? Será que todos ali presentes serão concitados a se recolherem em casa para cumprirem o tempo determinado na lei para a purificação? “Ordena aos filhos de Israel que lancem fora do arraial a todo o leproso, e a todo o que padece fluxo, e a todos os imundos por causa de contato com algum morto” ( Nm 5:2 ).
Enquanto as questões se avolumavam na mente da mulher, Jesus continuava a perguntar: “Quem é que me tocou?” ( Lc 8:45 ). A multidão continuou negando e, Pedro juntamente com o outros discípulos tentaram dissuadir a Cristo argumentando: “E, negando todos, disse Pedro e os que estavam com ele: Mestre, a multidão te aperta e te oprime, e dizes: Quem é que me tocou?” ( Lc 8:45 ).
Jesus, porém, continuou a olhar entre a multidão para ver quem havia lhe tocado! No verso 33 de Lucas 8 fica nítido o quanto ela considerou antes de revelar-se, pois, sabia que havia contrariado a lei indo até Jesus em meio a uma multidão.
A mulher ciente do que havia ocorrido, com medo e tremendo, aproximou-se, prostrou-se diante de Cristo e disse toda a verdade.
Foi quando Jesus lhe acalmou ao dizer: “Filha, a tua fé te salvou; vai em paz, e sê curada deste teu mal” ( Lc 8:48 ).
Por causa da fidelidade de Cristo Jesus, que honra aqueles que n’Ele confiam, a mulher foi: salva, recebida por filha, curada do fluxo de sangue e despedida em paz. Toda a confiança surgiu quando a mulher simplesmente ouviu falar de Jesus “Ouvindo falar de Jesus, veio por detrás, entre a multidão, e tocou na sua veste. Porque dizia: Se tão-somente tocar nas suas vestes, sararei” ( Mc 5:27 -28).
A confiança desta mulher nos ensina que Jesus é a água viva, fonte inesgotável, pois qualquer imundo que tocá-lo é limpo da sua imundície “Porém a fonte ou cisterna, em que se recolhem águas, será limpa…” ( Lv 11:36 ).
Através dela somos ensinados que Cristo é a semente incorruptível, o Verbo encarnado, pois até mesmo os cadáveres que sobre Ele caírem tornam-se limpos “E, se dos seus cadáveres cair alguma coisa sobre alguma semente que se vai semear, será limpa” ( Lv 11:37 ).
A confiança não surge do sofrimento, ou das mazelas diárias, antes tem origem na palavra da verdade. Ele passou a confiar a partir do momento que ouviu acerca de Cristo (v. 27). Quando ela ouviu acerca d’Ele e refletiu (v. 28), foi tomada de confiança que superou todos os medos (v. 33).
Se ela não tivesse ouvido acerca do Cristo, jamais teria confiança, pois a fé vem pelo ouvir e, o ouvir pela palavra de Deus ( Rm 10:17 ). Ao ouvir acerca daquele homem, ela foi invadida por uma confiança tal que considerou que, se tão somente tocasse nas suas vestes seria curada.
A confiança que ela depositou em Cristo era diferente da confiança que tivera nos médicos. A confiança nos médicos levou-a a gastar tudo o que possuía, mas a confiança em Cristo levou-a a desafiar as suas próprias crendices, as disposições da lei e a religiosidade: aquele homem tinha poder para sará-la daquele mal.
Se a notícia acerca de Cristo não houvesse operado uma transformação (metanóia) no modo de pensar da mulher, jamais ela iria intencionalmente tocar em Jesus, pois estaria presa ao pensamento de que poderia contaminá-lo.
Após apresentar-se prostrada aos pés de Cristo diante da multidão, e tendo declarado a sua intenção e confiança, Jesus lhe disse: “Filha, a tua fé te salvou; vai em paz, e sê curada deste teu mal” ( Mc 5:34 ).
O que salvou a mulher? A ‘confiança’ dela ou a ‘fé que se tornou manifesta’?
Ora, sabemos que quem salvou a mulher foi Cristo, pois ele é a fé que havia de se manifestar “Mas, antes que a fé viesse, estávamos guardados debaixo da lei, e encerrados para aquela fé que se havia de manifestar” ( Gl 3:23 ). Antes de Cristo ser anunciado ela confiava na lei, e a confiança dela não podia salvá-la, nem do pecado e nem da enfermidade, porém, quando ela confiou em Cristo, o dom de Deus, ela foi salva da condenação herdada de Adão e foi curada da enfermidade física “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus” ( Ef 2:8 ); “Jesus respondeu, e disse-lhe: Se tu conheceras o dom de Deus, e quem é o que te diz: Dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva” ( Jo 4:10 ).
Uma coisa é certa: ‘confiança’ a parte da fé, que é Cristo, não salva. Confiar nos médicos, na lei, na religiosidade, etc., nada produz, mas diante da fé manifesta, que é dom de Deus, se o homem confiar será salvo.
O homem é justificado por Cristo, a fé que havia de se manifestar, a fé que uma vez foi dada aos santos “Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo” ( Rm 5:1 ); “Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé sem as obras da lei” ( Rm 3:28 ).
Aquele que confia no Verbo que se fez carne, o autor e consumador da fé, tem a vida eterna, pois a confiança advém da palavra de Deus, que é firme e permanece para sempre “Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece” ( Jo 3:36 ).
A crença da mulher lhe salvou porque ela creu naquele que tem poder para justificar o ímpio, ou seja, a crença dela lhe foi imputada como justiça, assim como ocorreu com Abraão “Mas, àquele que não pratica, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça” ( Rm 4:5 ); “E creu ele no SENHOR, e imputou-lhe isto por justiça” ( Gn 15:6 )